domingo, 12 de dezembro de 2010

Portugal: O Estado Novo

Após a implantação da República em 1910 e do sistema parlamentar o país vivia uma fase de uma constante instabilidade governativa. Constantes greves e manifestações devido ao não cumprimento das promessas que a República tinha feito abalavam a situação social do país. A entrada de Portugal na Primeira Guerra  Mundial piorou mais ainda o descontentamento social e a instabilidade governamental, provocando também os desequilíbrios económicos. Já antes da instauração do Estado Novo, o país teve algumas experiências de ditaduras, contudo de pouca duração. Por exemplo, em 1915 o poder ficou nas mãos do general Pimenta de Castro que dissolveu o Parlamento e instalou uma ditadura militar. Todavia, este não esteve no poder muito tempo, tendo sido preso mais tarde. Seguiu-se Sidónio Pais, que em Dezembro de 1917 dissolvendo o Congresso fez-se eleger presidente por eleições directas em 1918, defendendo o presidencialismo. Este também não teve o poder por muito tempo, tendo sido assassinado mais tarde.
Só em 1926, após longas instabilidades políticas, através de um golpe de Estado promovido pelos militares acabou-se com a República parlamentar portuguesa.A facilidade da implantação das ditaduras em Portugal deveu-se às fracas bases democráticas do país. Foi então com a implantação de uma ditadura militar que o Estado Novo teve o seu início, mantendo-se esta até 1933, ano em que sobe ao poder talvez o mais marcante ditador da história portuguesa, o Dr.António de Oliveira Salazar que já antes era Ministro das Finanças.
Com as sucessivas mudanças de chefes do Executivo resultou o agravamento do défice orçamental.
António de Oliveira Salazar ficou encarregue da pasta das Finanças em 1928, com a função de melhor gerir as despesas dos ministérios.
Pela primeira vez, a situação económica de Portugal apresentou saldo positivo no Orçamento. Devido a este factor, em 1932, Salazar candidatou-se para a chefia do Governo, desde cedo mostrando os seus propósitos de instaurar uma nova ordem política.
Desta forma, em 1933 chegou ao ponto de ser afirmada uma nova Constituição, submetida ao plebiscito nacional. Foi então que se afirmou o Estado Novo, como sendo um forte Estado autoritário que condicionava as liberdades individuais aos interesses da Nação.Com a implantação de um Estado autoritário,corporativo e conservador, Portugal começou uma nova fase da sua vida.Segundo comparações com outros chefes autoritários vemos como Salazar se identificava com o chefe italiano, Mussolini. Foi principalmente na questão económica que estes dois chefes de estados se assemelharam visto que os dois começaram por apostar na agricultura do país, enquanto que por exemplo Hitler, o chanceler alemão, começou logo com a indústria pesada e com o rearmamento do país, pois tinha como objectivo a ocupação de territórios e o seu domínio. Foi através do seu forte conservadorismo e tradicionalismo que o Estado português se distinguiu dos outros estados fascistas, repousando em valores e conceitos morais tal como: Deus, Pátria, Família, Autoridade, Paz Social, Hierarquia, Moralidade e Austeridade. Visto que era de uma família rural, Salazar criticava a sociedade urbana e industrial, definindo-a como uma fonte de vícios. Com a subida de Salazar ao poder, a religião passou a ter de novo uma grande importância para os valores morais da sociedade. Por outro lado, a mulher era vista apenas como dona de casa, pois o seu trabalho fora do lar era visto como uma ameaça à estabilidade familiar.
Também foi notório  no Estado Novo, um nacionalismo exuberante. Salazar tendia sempre a engrandecer o povo português principalmente pelos seus feitos históricos, vendo os portugueses como heróis. Mesmo sendo comparado aos outros chefes totalitários da Europa, sabe-se que Salazar não demonstrava tanta violência face à sociedade, justificando que isso ia contra os princípios da moral cristã e das tradições nacionais do Estado. Como um forte estado autoritário, Portugal identificou-se com os outros estados fascistas no que toca ao antiparlamentarismo, ao antiliberalismo e à antidemocracia. O indivíduo enquanto ser único não tinha qualquer importância se não fosse integrado no Estado colectivo, na Nação. Para Salazar apenas a valorização do poder executivo era o garante de um Estado forte e autoritário, pois diz-nos ele que foi devido às "divisões intestinas" que se davam as "sucessivas revoluções[...]e a desordem constitucional".
Tal como na Itália, a consolidação do Estado Novo passou pelo culto do chefe que fez de Salazar o "salvador da Pátria", contudo com as suas devidas particularidades, ou seja, mostrando-se avesso às multidões e cultivando a discrição, a austeridade e a moralidade, ao contrário de Mussolini que transmitia uma imagem militarista, agressiva e viril.

4 comentários:

  1. estuda , faz os trabalhos que te "encomendam" mas no fim pensa por ti e tenta fazer sempre uma leitura tua , já perguntaste se o teu professor é isento ? faz o que ele pede para a nota , depois pensa por ti .

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  2. é o que eu tento fazer sempre...quem é já agora?

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  3. alguém que por aqui passou , já fui estudante como tu e tive de levar com a conversa da cassete de alguns professores , então comecei a perceber que algumas coisas da nossa historia recente não batia não certo , será que me entendes?

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  4. entendo sim...eu tento sempre expor o meu ponto de vista com base naquilo que estudamos e naquilo que ja sei e por vezes relaciono certos factos da historia com a actualidade o que me faz ter um pensamento diferente

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