sábado, 13 de novembro de 2010

As opções totalitárias

No início do século XX, o nacionalismo crescia aos poucos e poucos, tendo sido uma das causas da Primeira Guerra Mundial. Também o demoliberalismo tentava instalar-se no território europeu, pretendendo a liberdade e a igualdade entre os indivíduos, visto que o Estado pretendia ser neutro e baseava-se na divisão dos poderes. A própria vitória dos Aliados, pretendia o progresso da democracia na Europa. Contudo, com o passar dos anos '20, o demoliberalismo via-se confrontado por outros movimentos ideológicos e políticos, que viam o Estado como órgão omnipotente e totalitário. Desta forma nascem os sistemas totalitaristas tal como na Rússia, na Alemanha e em Itália. O totalitarismo caracterizava-se como o sistema político que defendia que o poder devia estar nas mãos de uma só pessoa ou partido único, cabendo ao Estado o controlo da vida social e individual.
Recorreu-se a estes sistemas totalitários, visto que viam-se nestes mesmos a solução para as crises económicas provocadas pela democracia liberal. Foi desta forma que surgiu o fascismo italiano e o nazismo alemão.
O sistema totalitário fascista e nazista eram bastante parecidos no que toca à oposição ao liberalismo, à democracia parlamentar e ao socialismo. Ambos defendiam que acima do indivíduo havia um Estado, existia a colectividade e a grandeza da Nação. Tal como já referi, ambos estes sistemas eram totalmente contra o parlamentarismo e desvalorizavam a democracia partidária. Também o socialismo via-se contrariado pelos totalitarismos europeus, pois este defendia a afirmação do indivíduo e não da Nação e da colectividade. O socialismo defendia que o indivíduo devia lutar pela a afirmação da sua classe social. Já o totalitarismo via o enfraquecimento do Estado ao haver uma divisão entre classes. Desta forma concebeu-se um modelo de organização socioeconómica, o corporativismo( caracteriza-se pela aceitação da propriedade privada, contudo estabelece como necessária a  intervenção do Estado), destinado a promover a colaboração entre as classes. Com a instalação do corporativismo, as greves e os lock-out passam a ser proibidos fazendo com que não haja paralisações de trabalho que podiam ter prejuízos na economia.
Tal como o nome indica, o totalitarismo exerceu-se a todos os níveis, político, económico, social e até cultural. A oposição política foi aniquilada por completo, as actividades económicas sofreram uma rigorosa regulamentação, a sociedade viu-se controlada por completo pelo Estado visto que foi proibida a liberdade de expressão e de pensamento.
Os chefes de Estados foram elevados ao nível de heróis, até de deuses, pois eram eles o exemplo a seguir.
Visto que os partidos foram proibidos, existindo apenas um partido as massas basicamente só podiam votar num só partido, fazendo com que os chefes pudessem afirmar que foram escolhidos por sufrágio universal sem recorrer a qualquer solução forçada. Tal como na Itália, também na Alemanha os jovens eram desde cedo educados de maneira a seguirem os ideais predominantes no Estado, desta forma nascem as juventudes Fascistas e Nazis.
Ambas estas potencialidades totalitárias demonstravam um forte racismo e anti-semitismo. Na Alemanha isso foi mais notório, com a exclusão dos judeus não sendo considerados como indivíduos da raça pura, ou seja, da raça ariana, que se caracterizava por vários factores.
Uma boa forma de chamar a atenção e para conseguir a adesão de um maior número possível das massas, foi a propaganda, sendo esta um conjunto de meios destinados a influenciar a opinião pública. A violência e o desrespeito dos direitos humanos também se evidenciou com a criação das polícias políticas que eram obrigadas a controlar toda a sociedade e não denunciar/penalizar qualquer indivíduo que estivesse contra o sistema presente no Estado.
No que toca a questão económica, na Itália e na Alemanha foi instalada uma política intervencionista e nacionalista que ficou conhecida como a autarcia. Esta consistia na auto-suficiência económica apelando-se ao povo trabalhador com o objectivo de fazer desaparecer o desemprego.
Na Itália, o enquadramento das actividades em corporações facilitou-lhe uma certa planificação económica. Desta forma, realizaram-se grandes batalhas de produção. Por exemplo a batalha de trigo permitiu o aumento da produção de cereais e fez diminuir as importações que eram as responsáveis pelo défice comercial. O Estado italiano interveio também na industria tendo assumido o controlo dos volumes das importações e das exportações. Ao ter conquistado a Etiópia, esta passou a explorar intensivamente fontes de energia e de minérios, tentando equilibrar da melhor forma possível a economia do Estado e tentando fazer com que este seja auto-suficiente, que lhe permitia a sua independência económica.
Ao contrário de Mussolini, que apostou mais na agricultura, Hitler investiu mais nos transportes e na indústria pesada. Foram então construídas auto-estradas, pontes e linhas férreas. Destas maneira o desemprego também viu-se abolido aos poucos. As realizações económicas do nazismo renderam-lhe a adesão das massas e mesmo a admiração de países ocidentais.
Podemos afirmar que ambos estes países totalitários, basearam-se nalguns princípios mercantilistas( maior exportação e menor importação) para conseguirem aderir à auto-suficiência.
Já do outro lado, com a morte de Lenine, forte defensor do marxismo e chefe do Partido Comunista, em 1924, sobe ao poder Estaline, que na chefia de Lenine exercia o cargo de secretário-geral do Partido Comunista. Mesmo sendo um suposto defensor do socialismo, Estaline recorreu ao totalitarismo querendo fazer da Rússia a maior potência mundial. Visto que ao aplicar a NEP Lenine abdicou de algumas empresas e permitiu a sua privatização e também abdicou de algumas terras permitindo aos camponeses vender os seus produtos livremente, contudo tendo que entregar uma parte ao Estado, recorrendo parcialmente ao capitalismo, Estaline voltou a nacionalizar todas as terras, por vezes utilizando a força. Contudo, mesmo forçando esta nacionalização das terras, a Rússia consegue aumentar a sua produção.
A economia russa era planificada de 5 em 5 anos, ao contrário da economia capitalista que era liberal e vivia da concorrência. O Estado russo, investiu bastante na indústria pesada tal como o Estado alemão.
Foram equivalentemente importados profissionais estrangeiros para se conseguir a formação de engenheiros e especialistas que viriam a participar no desenvolvimento da indústria.
Vemos como estes 3 estados totalitários foram muito parecidos nos meios utilizados para o desenvolvimento industrial e agrícola que contribuíram para a sua afirmação auto-suficiente, contudo enquanto que na Itália e na Alemanha predominava o capitalismo na Rússia predominava uma economia planeada que consistia na produção de produtos apenas em quantidades necessárias para a sobrevivência do povo.

2 comentários:

  1. Está bastante interessante esta síntese.
    Este período da História está bastante bem contextualizado.
    Mostra interesse pela disciplina e acompanha a matéria com grande regularidade.
    Penso que teria sido um lapso, quando diz que a policia politica, não penalizava os que eram contra o regime, provavelmente quereria dizer, que estes, seriam altamente penalizados e algumas vezes mortos.
    Seria bom depois de escrever o texto e antes de o publicar, rever-lo, pois seriam eliminadas estas contradições.
    Bom trabalho espero que seja para continuar.

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  2. obrigado pela chamada de atenção professor...foi um erro meu, adicionei um "não" sem querer...obrigado pela sua atenção.

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