domingo, 13 de março de 2011

A segunda vaga de descolonizações e a crise dos anos '70

Ultrapassado o período de guerra, o velho continente europeu sentia uma forte necessidade de renascer tanto a nível político como económico-social. Logo em 1946, o primeiro-ministro britânico, num dos seus discursos, anuncia o seu desejo de contribuir para a unificação diplomática entre os países da Europa, apelando, com uma certa margem de desconfiança, até às duas potências mundiais que se encontravam num conflito ideológico mútuo( EUA e URSS). Prosseguiu-se à criação de uma rede de organizações europeístas como sendo um rascunho da unificação pretendida por W.Churchill. Contudo, as dificuldades em chegar a um senso comum em relação às questões relacionadas com um sistema político que fosse aceite pelos membros da pretendida união fizeram-se sentir. Por um lado pretendia-se uma Europa federalista, ou seja, onde os membros têm direito a uma autonomia interna, mas não tendo qualquer direito em expressar-se sobre questões meramente internacionais. Por outro lado optava-se por uma confederação de estados independentes, pois os nacionalismos enraizados dificilmente eram ultrapassados.
No seu discurso de 1946, Churchill, ao referir-se a uma possível união dos países europeus, tinha em conta como base a cultura europeia que tem vindo a ser destruída desde 1914 com o impacto da Primeira Guerra Mundial e continuou a ser afundada com a Segunda Guerra. Mas o facto é que a primeira união baseada em relações meramente diplomáticas, surgiu entre a França e a Alemanha e não se relacionaram de modo algum com a cultura mas apenas revelaram a necessidade de uma cooperação económica de origem capitalista. Deste modo, em 1951 surge a CECA - Comunidade Europeia do Carvão e do Aço - que até 1957 tem vindo a expandir-se de forma igualitária por países como a Itália, Holanda, Luxemburgo e Bélgica, dando no mesmo ano de '57 origem à CEE( Comunidade Económica Europeia) sendo esta formalmente descrita no Tratado de Roma de 1957. A CEE pode ser considerada como o ponto de partida para a unificação de todos os países que actualmente fazem parte da União Europeia. Um factor que foi fulcral no crescimento económico-político europeu foi a união aduaneira, que consiste na livre circulação de mercadorias e que permitiu o forte crescimento económico numa média anual de 5%. Desta maneira a União Europeia tem vindo  a crescer como potência económica mundialmente reconhecida e ao mesmo tempo tem vindo a demonstrar uma política saudável e próspera para o desenvolvimento dos seus membros enquanto entidades politico-económico-sociais. 
Mas ao mesmo tempo que uma nova Europa economicamente enfortecida ergue o seu caminho para uma total prosperidade económica, política e social, uma vaga de descontentamento, por parte das colónias sob a égide dos países europeus, surge, tendo como objectivo a descolonização imediata e o alcance da independência a que esses países colonizados tinham direito, segundo a ONU. Praticamente todos os países-metrópoles viram-se forçados a abandonarem o domínio sobre os países anteriormente por si colonizados, com o risco de serem eliminados do próprio organismo das Nações Unidas em caso de não cumprimento do direito à autodeterminação e independência dos povos, com excepção a Portugal, país ainda regido por uma regime autoritário, que escavou uma guerra entre si e as suas colónias o que fez com que o regime do Estado Novo fosse fortemente criticado e pressionado internacionalmente vendo-se cada vez mais enfraquecido. 
Deste modo, os países africanos com o apoio da ONU conseguiram pegar a sua independência e o seu direito à autodeterminação. Contudo, afrontaram-se com um conjunto amplo de dificuldades, tendo que recorrer a ajudas externas, principalmente tendo que recorrer às duas potências mundiais que ideologicamente se opunham, sendo estas a URSS( o comunismo soviético) e os EUA( o capitalismo ocidental). Por outro lado, tanto os EUA como a URSS pretendiam expandir a sua ideologia e apoderando-se das dificuldades ultrapassadas pelos novos países africanos adquiriram novos aliados ideológicos. 
Mas mesmo concretizando-se como países independentes, as entidades africanas não conseguiram, nem até aos dias actuais, o desenvolvimento pretendido, sendo vistos como um "Terceiro Mundo" que apenas servia de exploração para os grandes extremos políticos e económicos que dominavam o mundo.
Porém, a partir do início dos anos '70 o mundo assiste ao surgimento de uma crise económica que afecta principalmente os estados ocidentais com bases capitalistas, pois foi nessas mesmas entidades territoriais, onde a indústria predominava, que se registou um crescimento praticamente nulo do PIB anual, afectando tal acontecimento o funcionamento das empresas que se viram obrigadas a fecharem dando origem por sua vez ao desemprego. A inflação é o fenómeno mais evidenciado e observado, pois chegou a ultrapassar os 10% criando um clima de total estagnação económica. Contudo, as principais razões da explosão inesperada desta crise tiveram as suas raízes nos conflitos com os países do Médio Oriente, principais fornecedores de petróleo, a energia natural mais utilizada, e na instabilidade monetária que se deveu à excessiva quantidade de moeda posta em circulação( principalmente o dólar).
O lado positivo desta crise é que mesmo sendo inesperada e preocupante para os países capitalistas não afectou o mantimento do crescimento, embora mais lento, que não permitiu a entrada numa balança negativa que poderia ter sido fatal para o sistema capitalista. O Estado-Providência também contribuiu para que a Grande Depressão dos anos '30 não se repetisse, reforçando o sistema de combate ao desemprego de modo a evitar situações de miséria.
Portanto, como se tem vindo a notar, após o fim da guerra, o mundo, mesmo vivendo sob um clima de tensão devido à Guerra Fria que eclodiu entre as ideologias capitalista e socialista, conseguiu superar as dificuldades económicas e conseguiu adaptar um sistema político com bases democráticas de modo a garantir a paz mundial e a cooperação entre todos os países, surgindo assim a União Europeia, em 1957, e uma rede de novas entidades independentes africanas, antigas colónias das metrópoles europeias. Mas por outro lado, após um próspero crescimento económico, nos anos '70 presenciou-se a uma quebra no aumento produtivo, mas que não teve impactos fatais para o sistema capitalista, que conseguiu de uma forma flexível adaptar-se às situações e evitando desta forma uma nova depressão que desta vez poderia ter tido uma dimensão ainda mais generalizada.

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