No período do pós-guerra o planeamento político dos países foi acompanhado por um planeamento económico com o objectivo de estruturar a situação monetária e financeira do período de paz.
Como se sabe, a Rússia, após a vitória sobre o nazismo, começou a surgir como a segunda potência mundial fazendo uma grande concorrência aos EUA que já se encontravam no topo económico do mundo, ou seja, era a principal potência mundial. Visto que os EUA eram contra os regimes autoritários europeus que segundo estes prejudicavam o crescimento económico estavam desejosos por uma nova ordem económica baseada na cooperação internacional onde o dólar viria a ser a moeda-chave.
Por outro lado, devido às perdas da guerra as colónias dos países europeus também viram-se prejudicadas e surgiu-lhes o desejo da independência, ou seja, o desejo de pôr fim ao domínio europeu. Foi desta maneira que surgiram os grandes rivais mundiais, a URSS e os EUA, ou seja, devido à grande concorrência que surgirá entre estas cada uma tentava dar o maior apoio possível aos países que estavam ansiosos pela independência de forma a conseguir mais adesão possível à sua ideologia, do lado americano ao capitalismo e do lado russo ao socialismo. Deste modo surgiu um grande movimento de descolonização tanto no continente africano como no continente asiático. Foi com a descolonização que os impérios europeus viram o seu fim tendo sido o fenómeno político mais relevante da segunda metade do século XX.
Resumindo, tanto a URSS como os EUA tentavam ajudar o maior número de antigas colónias de forma a conseguirem um maior apoio ideológico, ou seja, ao ajudarem as colónias implantarem a sua independência estas pretendiam uma adesão à sua ideologia, ao capitalismo da parte dos EUA e ao socialismo da URSS. Deste modo surgirá mais tarde uma grande conflito mútuo entre estes dois rivais que será denominado como o período da Guerra Fria, que predominou até aproximadamente ate ao final do século XX.
sábado, 29 de janeiro de 2011
sábado, 22 de janeiro de 2011
A reconstrução do pós-guerra
Com o surgimento dos regimes fascistas na Europa, sendo estes grandes potências industriais, veio-se a alertar o surgimento de um novo conflito mundial, que talvez tivesse tido a sua encenação na Guerra Civil de Espanha entre os 1936-1939, disputada entre os falangistas( apoiantes do general Franco) e a Frente Popular onde as potências fascistas contribuíram com o seu apoio para a implantação de um regime ditatorial e onde estes mesmos testaram a industria bélica que mais tarde viriam a utilizar na Segunda Guerra Mundial.
Por mais bem preparados e por mais investimentos que tivessem feito na industria pesada os regimes fascistas vieram a sofrer a derrota desta vez também. Países como França, Inglaterra, EUA e talvez a principal protagonista a URSS saíram vencedores fazendo frente aos regimes autoritários europeus.
Logo em Fevereiro de 1945 realiza-se a primeira conferência de paz em Ialta com o objectivo de se estabelecerem as regras que devem sustentar a nova ordem internacional do pós-guerra. Foi aí que se definiram as fronteiras da Polónia( país antes disputado entre a URSS e a Alemanha), prosseguiu-se à divisão da Alemanha pelos países vencedores, planeou-se uma futura conferência sobre a questão da fundação da Organização das Nações Unídas(ONU) e tal como no Tratado de Versalhes estabeleceu-se uma quota a pagar pela Alemanha devido às reparações da guerra. Mais tarde viria a ser desenvolvida uma outra conferência, desta vez em Potsdam, mas desta vez num clima mais tenso visto que começavam a surgir as desconfianças em relação às ideias expansionistas de Estaline e do regime comunista. Os princípios desta conferência baseavam-se na ordem política, ou seja, principalmente na destruição do regime totalitário alemão. Dizendo por outras palavras nesta conferência foram discutidos e aprovados princípios meramente relacionados com ideologias.
Como não podia deixar de acontecer, após a guerra surge um novo quadro geopolítico, acontecimento comum após um conflito de ideologias e potencias industriais. Deste modo a Alemanha fica dividida pelos vencedores e surgem novos países independentes, principalmente no território africano, onde muitas antigas colónias conseguem libertar-se do domínio da metrópole.
Por outro lado, ao serem libertados pelos soldados russos do regime nazi, alguns países da Europa de Leste adoptaram rapidamente o sistema socialista e fizeram com que surgisse uma nova desconfiança da parte do mundo capitalista que tanto como os socialistas queriam divulgar a sua ideologia e acumular cada vez mais apoiantes. Surge portanto uma grande concorrência mútua entre os capitalistas( EUA) e os comunistas ( URSS) devido às suas ideologias. Falo nos EUA e na URSS porque eram as duas maiores potências mundiais existentes naquela altura e duas grandes rivais devido às suas ideologias que tanto queriam expandir pelo mundo fora. Contudo num dos discursos que o primeiro-ministro inglês, Winston Churchill, faz na Universidade de Fulton este fala sobre o receio de a Rússia querer tudo aquilo a que ela, a seu ver, tem direito e poder desta forma provocar um outro conflito, ou seja, já logo após o final da guerra Churchill chama a atenção para o perigo de uma nova guerra mas desta vez provocada pelo regime comunista que tem vindo a ameaçar o mundo capitalista. Em resposta, Estaline apresenta um argumento pouco fundamentado e talvez até sem qualquer nexo comparando o PM inglês ao chanceler alemão, Hitler, afirmando que este apenas validava e valorizava os povos que falassem a língua inglesa, ou seja, querendo dizer que Churchill fazia o mesmo que o Hitler fez com as questões relacionadas com a etnia racial e com a língua germânica, criando deste modo um povo egocêntrico e superior aos outros povos existentes. Atrevo-me a afirmar que tal comparação é pouco racional e não tem qualquer fundamento que a prove, visto que Churchill apenas elogiou os EUA e o mundo capitalista por estarem no cume do poder mundial e não teve qualquer intervenção onde evidenciasse a importância da língua inglesa ou algo do mesmo género.
Como já tinha referido, em 1945 foi criada uma organização de ilimitada importância para uma paz estável e duradoura que ainda na actualidade existe e é denominada como ONU, ou seja, Organização das Nações Unidas. Os propósitos fundamentais da ONU são: manter a paz, desenvolver relações de amizade, desenvolver a cooperação internacional e funcionar como centro harmonizador. Na Declaração Universal dos Direitos do Homem, em 1948, todos os documentos fundamentais das Nações Unidas passaram a fazer parte dando uma maior credibilidade e diversidade à Declaração. Deste modo para além dos Direitos atribuídos em 1789 na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão esta nova Declaração viria a ter um valor não apenas relacionado com os direitos sociais do Homem, mas sim um valor económico-social.
Por sua vez a ONU era constituída por múltiplos órgãos de funcionamento tal como: a Assembleia-Geral, o Conselho de Segurança, o Secretariado-Geral, o Conselho Económico e Social, o Tribunal Internacional de Justiça e o Conselho de Tutela.
Surgem também agências especializadas entre as quais a FMI( Fundo Monetário Internacional) e o BIRD( Banco Mundial) sendo este capitalista visto que a maioria dos países aderentes à ONU regiam-se pelos sistema económico capitalista.
O pós-guerra trouxe muitas mudanças a nível mundial tanto geopolíticas como sociais e económicas. Observou-se o crescimento e a constante concorrência entre as duas maiores potências mundiais, URSS e EUA, que mais tarde seria conhecida como a Guerra Fria devido à sua característica mútua e constante tensão vivida mundialmente. A criação da ONU foi talvez a melhor medida tomada com o fim de evitar qualquer conflito futuro que poderá surgir e que ainda hoje desempenha um cargo importantíssimo a nível mundial sendo a coordenadora da paz e da coesão mundial.
sábado, 8 de janeiro de 2011
Estado Novo( Continuação)
Conta-nos a história que em 1933 entrou em vigor em Portugal uma nova constituição, que veio a alterar maioritariamente as leis que predominavam durante todo o período da República portuguesa e que se encontravam registadas na Constituição de 1911.
Visto que desde 1926 Portugal vivia num regime ditatorial, a dita Constituição veio a reforçar ainda mais o poder executivo do país, pois segundo o chefe de Estado só este garantia um Estado forte e autoritário.
Tal como nos outros estados de origem fascista, em Portugal defendia-se o Partido Único, pois a existência de mais do que um partido, segundo Salazar, desunia o povo português e isso ia contra os seus princípios. Foi igualmente criado o corporativismo, sendo este o modelo da organização económica, social e política. Contudo, apesar de terem sido descritas várias corporações na Constituição de 1933, apenas foram postas em prática as de natureza económica, sendo esta a forma como o Estado controlava a economia do país.
Uma estratégia para a adesão do povo ao regime predominante foi a criação de diferenciadas instituições e associações de maneira a conseguir o enquadramento das massas. À semelhança dos outros estados autoritários, em Portugal também se adoptou a estratégia da propaganda para uma maior adesão do povo português e para isso foi criado o Secretariado da Propaganda Nacional( SPN). Neste contexto podemos também referir a concretização da União Nacional, uma organização não partidária constituída por apoiantes do regime onde se discutiam assuntos políticos.
Mais uma semelhança entre o estado português e os estados fascistas observou-se na criação da Legião Portuguesa( organização paramilitar) e da Mocidade Portuguesa( semelhante à Juventude Hitleriana e Fascista) que veio a estimular mais o facto de Portugal se aproximar cada vez mais de um Estado fascista e autoritário. A censura também ela viu-se a ser expandida no território português como um meio de manter a ordem social tendo-se proibido a publicação de muitos jornais e/ou livros que o Estado considerava provocadores da instabilidade social.
Sendo um país autoritário, o estado português não podia deixar de prosseguir à criação de um aparelho repressivo que seria responsável pela defesa da ordem social e geral. Foi então que surgiu a PVDE( Polícia de Vigilância e de Defesa do Estado) que após o final da Segunda Guerra Mundial viria a denominar-se PIDE( Polícia Internacional e de Defesa do Estado). Tal como na Alemanha ou na Itália, em Portugal a PIDE também utilizava estratégias bastante violentas para demonstrar o seu poder aos cidadãos e para transmitir a mensagem de que deve ser mantida a total ordem social no Estado para que este possa ser forte e possa desempenhar as suas funções sem se preocupar com qualquer tipo de instabilidade.
Apesar de todas estas medidas tomadas, a principal preocupação do Estado, ou melhor dizendo de Salazar, era a situação económica que tanto abalava o país, afinal de contas ele tinha sido o Ministro das Finanças de Portugal e encontrava-se dentro de toda a matéria económica e financeira do estado português. Encontraremos fortes semelhanças entre Salazar e Mussolini visto que o chefe italiano era um grande exemplo para o chefe português que viria a organizar uma economia bastante semelhante àquela em que Mussolini tinha apostado, ou seja, tal como o chefe italiano, Salazar apostou principalmente na agricultura devido à sua ideia de que desta forma seria muito mais difícil os portugueses organizarem-se em grandes agrupamentos para realizar greves e instabilidades pois estes não iriam invadir a cidade mas sim manteriam-se nos espaços rurais para conseguirem realizar as suas actividades relacionadas com a agricultura. Deste modo viria a instalar-se no país o modelo intervencionista e autárcico. Contudo, a economia portuguesa não se limitou apenas à agricultura, mas também viu-se abrangida pelas obras públicas, pela indústria e pelas colónias, ramos em que o Estado Novo apostou para um desenvolvimento positivo e rápido do país. Contudo a política intervencionista de Salazar era submetida a variadíssimas críticas dos opositores, chegando a ser afirmado de que o Orçamento proposto não era para um desenvolvimento contínuo do estado português mas sim para a estagnação do mesmo. Numa dessas críticas podemos constatar o descontentamento pelas medidas tomadas pelo Salazar: "O erro dele foi querer equilibrar o Orçamento só criando receitas e sobrecarregando com novos impostos[...]suprimindo ou diminuindo as despesas não reprodutivas..."diz-nos Afonso Costa numa entrevista que deu ao jornal "O Primeiro de Janeiro"(censurado em Portugal) em 1933 encontrando-se em Paris. Apesar destas críticas da oposição, o facto é que Salazar conseguiu um equilíbrio orçamental através da aplicação dos impostos e de uma melhor administração dos dinheiros públicos. Uma das medidas tomadas foi também o aumento dos impostos sobre as importações fazendo com que estas diminuíssem e com que o país ficasse menos dependente do exterior, tornando-se cada vez mais independente economicamente. Uma vantagem em relação aos outros países europeus foi a questão da sua neutralidade na Segunda Guerra Mundial, o que fez com que o país mantivesse o seu equilíbrio financeiro. Como já referi anteriormente, o Estado Novo apostou em grande parte na agricultura, construindo barragens com o fim de uma melhor irrigação de solos. Apostou-se muito na produção vinícola, do arroz, da batata, do azeite, da cortiça e das frutas. Um processo igual e com o mesmo nome que ocorria na Itália, A Campanha do Trigo, viu-se expandida pelo território português vista como o equilíbrio dos sectores produtivos e principalmente do sector cerealífero. Esta medida nas dadas circunstâncias era um princípio mercantilista que visava a maior exportação e uma menor importação. Devido a este crescimento da produção de cereais, o estado português, num período de crise e de instabilidade que atingia todo o território europeu, conseguiu tornar-se um país auto-suficiente. Por outro lado, a política de autarcia abrangeu também a questão das obras públicas, tendo sido construída uma rede de caminhos-de-ferro e de pontes e também tendo sido construídas e reparadas estradas de maneira a que a comunicação e o mercado interno pudesse facilmente funcionar. Além disso, a rede telegráfica e telefónica também foi expandida, tal como a electrificação foi.
Tendo em conta um espírito crítico, devemos apreciar todas ou pelo menos a maioria das medidas relacionadas com o desenvolvimento de Portugal que o Dr. Salazar se atreveu a pôr em prática com a ajuda de outros elementos que o apoiavam. Mesmo tendo sido um chefe rigoroso( característica descritiva de um chefe autoritário) e tendo tomado medidas prejudiciais a nível social, não podemos critica-lo tendo em conta apenas factores que mesmo após a sua morte predominavam no Estado português devido aos actos violentos de algumas organizações implantadas durante a existência do Estado Novo para controlar e manter a ordem social, mas devíamos encontrar e apreciar o lado positivo da sua estadia no poder, que foi o facto de ele ter sido o homem quem conseguiu melhorar a situação económica pavorosa em que o país se encontrava antes e após a implantação da República.
Visto que desde 1926 Portugal vivia num regime ditatorial, a dita Constituição veio a reforçar ainda mais o poder executivo do país, pois segundo o chefe de Estado só este garantia um Estado forte e autoritário.
Tal como nos outros estados de origem fascista, em Portugal defendia-se o Partido Único, pois a existência de mais do que um partido, segundo Salazar, desunia o povo português e isso ia contra os seus princípios. Foi igualmente criado o corporativismo, sendo este o modelo da organização económica, social e política. Contudo, apesar de terem sido descritas várias corporações na Constituição de 1933, apenas foram postas em prática as de natureza económica, sendo esta a forma como o Estado controlava a economia do país.
Uma estratégia para a adesão do povo ao regime predominante foi a criação de diferenciadas instituições e associações de maneira a conseguir o enquadramento das massas. À semelhança dos outros estados autoritários, em Portugal também se adoptou a estratégia da propaganda para uma maior adesão do povo português e para isso foi criado o Secretariado da Propaganda Nacional( SPN). Neste contexto podemos também referir a concretização da União Nacional, uma organização não partidária constituída por apoiantes do regime onde se discutiam assuntos políticos.
Mais uma semelhança entre o estado português e os estados fascistas observou-se na criação da Legião Portuguesa( organização paramilitar) e da Mocidade Portuguesa( semelhante à Juventude Hitleriana e Fascista) que veio a estimular mais o facto de Portugal se aproximar cada vez mais de um Estado fascista e autoritário. A censura também ela viu-se a ser expandida no território português como um meio de manter a ordem social tendo-se proibido a publicação de muitos jornais e/ou livros que o Estado considerava provocadores da instabilidade social.
Sendo um país autoritário, o estado português não podia deixar de prosseguir à criação de um aparelho repressivo que seria responsável pela defesa da ordem social e geral. Foi então que surgiu a PVDE( Polícia de Vigilância e de Defesa do Estado) que após o final da Segunda Guerra Mundial viria a denominar-se PIDE( Polícia Internacional e de Defesa do Estado). Tal como na Alemanha ou na Itália, em Portugal a PIDE também utilizava estratégias bastante violentas para demonstrar o seu poder aos cidadãos e para transmitir a mensagem de que deve ser mantida a total ordem social no Estado para que este possa ser forte e possa desempenhar as suas funções sem se preocupar com qualquer tipo de instabilidade.
Apesar de todas estas medidas tomadas, a principal preocupação do Estado, ou melhor dizendo de Salazar, era a situação económica que tanto abalava o país, afinal de contas ele tinha sido o Ministro das Finanças de Portugal e encontrava-se dentro de toda a matéria económica e financeira do estado português. Encontraremos fortes semelhanças entre Salazar e Mussolini visto que o chefe italiano era um grande exemplo para o chefe português que viria a organizar uma economia bastante semelhante àquela em que Mussolini tinha apostado, ou seja, tal como o chefe italiano, Salazar apostou principalmente na agricultura devido à sua ideia de que desta forma seria muito mais difícil os portugueses organizarem-se em grandes agrupamentos para realizar greves e instabilidades pois estes não iriam invadir a cidade mas sim manteriam-se nos espaços rurais para conseguirem realizar as suas actividades relacionadas com a agricultura. Deste modo viria a instalar-se no país o modelo intervencionista e autárcico. Contudo, a economia portuguesa não se limitou apenas à agricultura, mas também viu-se abrangida pelas obras públicas, pela indústria e pelas colónias, ramos em que o Estado Novo apostou para um desenvolvimento positivo e rápido do país. Contudo a política intervencionista de Salazar era submetida a variadíssimas críticas dos opositores, chegando a ser afirmado de que o Orçamento proposto não era para um desenvolvimento contínuo do estado português mas sim para a estagnação do mesmo. Numa dessas críticas podemos constatar o descontentamento pelas medidas tomadas pelo Salazar: "O erro dele foi querer equilibrar o Orçamento só criando receitas e sobrecarregando com novos impostos[...]suprimindo ou diminuindo as despesas não reprodutivas..."diz-nos Afonso Costa numa entrevista que deu ao jornal "O Primeiro de Janeiro"(censurado em Portugal) em 1933 encontrando-se em Paris. Apesar destas críticas da oposição, o facto é que Salazar conseguiu um equilíbrio orçamental através da aplicação dos impostos e de uma melhor administração dos dinheiros públicos. Uma das medidas tomadas foi também o aumento dos impostos sobre as importações fazendo com que estas diminuíssem e com que o país ficasse menos dependente do exterior, tornando-se cada vez mais independente economicamente. Uma vantagem em relação aos outros países europeus foi a questão da sua neutralidade na Segunda Guerra Mundial, o que fez com que o país mantivesse o seu equilíbrio financeiro. Como já referi anteriormente, o Estado Novo apostou em grande parte na agricultura, construindo barragens com o fim de uma melhor irrigação de solos. Apostou-se muito na produção vinícola, do arroz, da batata, do azeite, da cortiça e das frutas. Um processo igual e com o mesmo nome que ocorria na Itália, A Campanha do Trigo, viu-se expandida pelo território português vista como o equilíbrio dos sectores produtivos e principalmente do sector cerealífero. Esta medida nas dadas circunstâncias era um princípio mercantilista que visava a maior exportação e uma menor importação. Devido a este crescimento da produção de cereais, o estado português, num período de crise e de instabilidade que atingia todo o território europeu, conseguiu tornar-se um país auto-suficiente. Por outro lado, a política de autarcia abrangeu também a questão das obras públicas, tendo sido construída uma rede de caminhos-de-ferro e de pontes e também tendo sido construídas e reparadas estradas de maneira a que a comunicação e o mercado interno pudesse facilmente funcionar. Além disso, a rede telegráfica e telefónica também foi expandida, tal como a electrificação foi.
Tendo em conta um espírito crítico, devemos apreciar todas ou pelo menos a maioria das medidas relacionadas com o desenvolvimento de Portugal que o Dr. Salazar se atreveu a pôr em prática com a ajuda de outros elementos que o apoiavam. Mesmo tendo sido um chefe rigoroso( característica descritiva de um chefe autoritário) e tendo tomado medidas prejudiciais a nível social, não podemos critica-lo tendo em conta apenas factores que mesmo após a sua morte predominavam no Estado português devido aos actos violentos de algumas organizações implantadas durante a existência do Estado Novo para controlar e manter a ordem social, mas devíamos encontrar e apreciar o lado positivo da sua estadia no poder, que foi o facto de ele ter sido o homem quem conseguiu melhorar a situação económica pavorosa em que o país se encontrava antes e após a implantação da República.
domingo, 12 de dezembro de 2010
Portugal: O Estado Novo
Após a implantação da República em 1910 e do sistema parlamentar o país vivia uma fase de uma constante instabilidade governativa. Constantes greves e manifestações devido ao não cumprimento das promessas que a República tinha feito abalavam a situação social do país. A entrada de Portugal na Primeira Guerra Mundial piorou mais ainda o descontentamento social e a instabilidade governamental, provocando também os desequilíbrios económicos. Já antes da instauração do Estado Novo, o país teve algumas experiências de ditaduras, contudo de pouca duração. Por exemplo, em 1915 o poder ficou nas mãos do general Pimenta de Castro que dissolveu o Parlamento e instalou uma ditadura militar. Todavia, este não esteve no poder muito tempo, tendo sido preso mais tarde. Seguiu-se Sidónio Pais, que em Dezembro de 1917 dissolvendo o Congresso fez-se eleger presidente por eleições directas em 1918, defendendo o presidencialismo. Este também não teve o poder por muito tempo, tendo sido assassinado mais tarde.
Só em 1926, após longas instabilidades políticas, através de um golpe de Estado promovido pelos militares acabou-se com a República parlamentar portuguesa.A facilidade da implantação das ditaduras em Portugal deveu-se às fracas bases democráticas do país. Foi então com a implantação de uma ditadura militar que o Estado Novo teve o seu início, mantendo-se esta até 1933, ano em que sobe ao poder talvez o mais marcante ditador da história portuguesa, o Dr.António de Oliveira Salazar que já antes era Ministro das Finanças.
Com as sucessivas mudanças de chefes do Executivo resultou o agravamento do défice orçamental.
António de Oliveira Salazar ficou encarregue da pasta das Finanças em 1928, com a função de melhor gerir as despesas dos ministérios.
Pela primeira vez, a situação económica de Portugal apresentou saldo positivo no Orçamento. Devido a este factor, em 1932, Salazar candidatou-se para a chefia do Governo, desde cedo mostrando os seus propósitos de instaurar uma nova ordem política.
Desta forma, em 1933 chegou ao ponto de ser afirmada uma nova Constituição, submetida ao plebiscito nacional. Foi então que se afirmou o Estado Novo, como sendo um forte Estado autoritário que condicionava as liberdades individuais aos interesses da Nação.Com a implantação de um Estado autoritário,corporativo e conservador, Portugal começou uma nova fase da sua vida.Segundo comparações com outros chefes autoritários vemos como Salazar se identificava com o chefe italiano, Mussolini. Foi principalmente na questão económica que estes dois chefes de estados se assemelharam visto que os dois começaram por apostar na agricultura do país, enquanto que por exemplo Hitler, o chanceler alemão, começou logo com a indústria pesada e com o rearmamento do país, pois tinha como objectivo a ocupação de territórios e o seu domínio. Foi através do seu forte conservadorismo e tradicionalismo que o Estado português se distinguiu dos outros estados fascistas, repousando em valores e conceitos morais tal como: Deus, Pátria, Família, Autoridade, Paz Social, Hierarquia, Moralidade e Austeridade. Visto que era de uma família rural, Salazar criticava a sociedade urbana e industrial, definindo-a como uma fonte de vícios. Com a subida de Salazar ao poder, a religião passou a ter de novo uma grande importância para os valores morais da sociedade. Por outro lado, a mulher era vista apenas como dona de casa, pois o seu trabalho fora do lar era visto como uma ameaça à estabilidade familiar.
Também foi notório no Estado Novo, um nacionalismo exuberante. Salazar tendia sempre a engrandecer o povo português principalmente pelos seus feitos históricos, vendo os portugueses como heróis. Mesmo sendo comparado aos outros chefes totalitários da Europa, sabe-se que Salazar não demonstrava tanta violência face à sociedade, justificando que isso ia contra os princípios da moral cristã e das tradições nacionais do Estado. Como um forte estado autoritário, Portugal identificou-se com os outros estados fascistas no que toca ao antiparlamentarismo, ao antiliberalismo e à antidemocracia. O indivíduo enquanto ser único não tinha qualquer importância se não fosse integrado no Estado colectivo, na Nação. Para Salazar apenas a valorização do poder executivo era o garante de um Estado forte e autoritário, pois diz-nos ele que foi devido às "divisões intestinas" que se davam as "sucessivas revoluções[...]e a desordem constitucional".
Tal como na Itália, a consolidação do Estado Novo passou pelo culto do chefe que fez de Salazar o "salvador da Pátria", contudo com as suas devidas particularidades, ou seja, mostrando-se avesso às multidões e cultivando a discrição, a austeridade e a moralidade, ao contrário de Mussolini que transmitia uma imagem militarista, agressiva e viril.
Só em 1926, após longas instabilidades políticas, através de um golpe de Estado promovido pelos militares acabou-se com a República parlamentar portuguesa.A facilidade da implantação das ditaduras em Portugal deveu-se às fracas bases democráticas do país. Foi então com a implantação de uma ditadura militar que o Estado Novo teve o seu início, mantendo-se esta até 1933, ano em que sobe ao poder talvez o mais marcante ditador da história portuguesa, o Dr.António de Oliveira Salazar que já antes era Ministro das Finanças.
Com as sucessivas mudanças de chefes do Executivo resultou o agravamento do défice orçamental.
António de Oliveira Salazar ficou encarregue da pasta das Finanças em 1928, com a função de melhor gerir as despesas dos ministérios.
Pela primeira vez, a situação económica de Portugal apresentou saldo positivo no Orçamento. Devido a este factor, em 1932, Salazar candidatou-se para a chefia do Governo, desde cedo mostrando os seus propósitos de instaurar uma nova ordem política.
Desta forma, em 1933 chegou ao ponto de ser afirmada uma nova Constituição, submetida ao plebiscito nacional. Foi então que se afirmou o Estado Novo, como sendo um forte Estado autoritário que condicionava as liberdades individuais aos interesses da Nação.Com a implantação de um Estado autoritário,corporativo e conservador, Portugal começou uma nova fase da sua vida.Segundo comparações com outros chefes autoritários vemos como Salazar se identificava com o chefe italiano, Mussolini. Foi principalmente na questão económica que estes dois chefes de estados se assemelharam visto que os dois começaram por apostar na agricultura do país, enquanto que por exemplo Hitler, o chanceler alemão, começou logo com a indústria pesada e com o rearmamento do país, pois tinha como objectivo a ocupação de territórios e o seu domínio. Foi através do seu forte conservadorismo e tradicionalismo que o Estado português se distinguiu dos outros estados fascistas, repousando em valores e conceitos morais tal como: Deus, Pátria, Família, Autoridade, Paz Social, Hierarquia, Moralidade e Austeridade. Visto que era de uma família rural, Salazar criticava a sociedade urbana e industrial, definindo-a como uma fonte de vícios. Com a subida de Salazar ao poder, a religião passou a ter de novo uma grande importância para os valores morais da sociedade. Por outro lado, a mulher era vista apenas como dona de casa, pois o seu trabalho fora do lar era visto como uma ameaça à estabilidade familiar.
Também foi notório no Estado Novo, um nacionalismo exuberante. Salazar tendia sempre a engrandecer o povo português principalmente pelos seus feitos históricos, vendo os portugueses como heróis. Mesmo sendo comparado aos outros chefes totalitários da Europa, sabe-se que Salazar não demonstrava tanta violência face à sociedade, justificando que isso ia contra os princípios da moral cristã e das tradições nacionais do Estado. Como um forte estado autoritário, Portugal identificou-se com os outros estados fascistas no que toca ao antiparlamentarismo, ao antiliberalismo e à antidemocracia. O indivíduo enquanto ser único não tinha qualquer importância se não fosse integrado no Estado colectivo, na Nação. Para Salazar apenas a valorização do poder executivo era o garante de um Estado forte e autoritário, pois diz-nos ele que foi devido às "divisões intestinas" que se davam as "sucessivas revoluções[...]e a desordem constitucional".
Tal como na Itália, a consolidação do Estado Novo passou pelo culto do chefe que fez de Salazar o "salvador da Pátria", contudo com as suas devidas particularidades, ou seja, mostrando-se avesso às multidões e cultivando a discrição, a austeridade e a moralidade, ao contrário de Mussolini que transmitia uma imagem militarista, agressiva e viril.
sábado, 27 de novembro de 2010
A resistência das democracias liberais
A crise de 1929 que teve origem nos EUA, teve impacto não só no território americano mas também foi notório principalmente na Europa, visto que alguns países do continente europeu dependiam economicamente dos EUA. Desta forma, com o fracasso do capitalismo devido ao processo de superprodução, a depressão dos anos 30 abrangeu um grande número de países e revelou as fragilidades deste sistema liberal.
Segundo o economista britânico Keynes, o Estado devia intervir na economia pela sua "política fiscal". A este processo deu-se o nome de intervencionismo que consistia no papel activo do Estado em todas as actividades económicas de forma a evitar os danos provocados pelo liberalismo económico.
A solução que foi tomada pelo novo presidente dos EUA, Franklin Roosevelt, ficou conhecida sob o nome de New Deal. Esta talvez foi a melhor solução perante as dificuldades económicas do estado americano visto que se baseava muito na agricultura e nos recursos naturais existentes nos EUA. O New Deal consistiu num conjunto de reformas e iniciativas económicas e sociais. Foram tomadas algumas medidas financeiras bastante rigorosas que incluíram o encerramento de instituições bancárias, e estabelecimento de sanções contra os especuladores e a requisição de ouro. Também o dólar não escapou às alterações visto que sofreu uma desvalorização em Abril de 1933 o que fez com que as dívidas externas baixassem e fez subir os preços, fazendo com que houvesse uma inflação controlada que aumentou os lucros das empresas. Insistiu-se num investimento nas obras públicas, tal como nas estradas, nas vias-férreas, aeroportos, habitações e escolas, de forma a criar postos de emprego para descer a taxa de desemprego.( A taxa de desemprego consistia em 1932 em 25% e com a aplicação do New Deal esta desceu 10%).
Por outro lado, o presidente americano apostou e estabeleceu a protecção à agricultura através de empréstimos aos agricultores e de indemnizações que os compensassem pela redução das áreas cultivadas. Da mesma forma foi estabelecida a protecção à indústria e ao trabalho industrial com a fixação de preços mínimos e máximo controlando por um lado os preços e por outro deixando com que houvesse pequenas concorrências não fugindo muito às características do capitalismo.
Já entre 1935 e 1938, época considerada como a segunda fase do New Deal, esta medida preocupou-se mais com o meio social. Deste modo, reconheceu-se a liberdade sindical e o direito à greve, regularizou-se a reforma por velhice e invalidez, instituiu-se o fundo de desemprego e o auxílio aos pobres, foi estabelecido o salário mínimo e foi reduzido o horário semanal de trabalho( 44h semanais). Todas estas reformas fizeram com que o Governo Federal americano fosse visto como um Estado-Providência, devido aos ideais que seguiu. Mesmo após este conjunto de reformas que não seguiu por completo o keynesianismo, o desemprego continuo a manifestar-se ( 15%) principalmente entre 1936 e 1939. Roosevelt recorreu a uma planificação parcial da economia, através do estabelecimento dos preços mínimos e máximos e de quotas de produção e tornou o Estado "corporativista" de forma a unir os empresários com os operários de maneira a eliminar a forte concorrência, factor que já era observado na Itália e que destinava-se na abolição das diferenças entre as classes sociais.
Tal como já referi anteriormente, a crise também abalou alguns estados europeus. França foi um dos países que não sentiu esta situação tão profundamente. Contudo, a crise francesa aumentava devido à insistência dos governos em políticas deflacionistas, fazendo com que as classes médias, os agricultores e os operários saíssem prejudicados com as medidas tomadas pelo Estado. Os partidos da esquerda viram-se confrontados com as críticas da parte de grandes ligas nacionalistas que defendiam a implantação de um sistema autoritário como solução para a implantação da ordem social e regularização da situação económica em que o país se encontrava. Desta forma, a democracia francesa via-se ameaçada pelas contestações da direita. As constantes manifestações da extrema-direita fizeram com que em 1934 o Governo radical fosse demitido e fizeram com que se iniciasse uma mobilização dos cidadãos que se convergiu numa coligação de esquerda conhecida como Frente Popular. Esta era constituída por partidários comunistas, socialistas e radicais. Os governos da Frente Popular forneceram um notável impulso à legislação social, na sequência de um movimento grevista caracterizado pelas ocupações das fábricas que afectou a indústria no geral( automóvel, aeronáutica, grandes armazéns, bancos e escritórios). Com a assinatura do "Acordos de Matignon", tal como nos EUA foram tomadas um conjunto de reformas que consistiram nos contractos de trabalho entre os empregadores e assalariados em que se aceitava a liberdade sindical e se previam aumentos salariais. Também as horas semanais de trabalho sofreram alterações visto que foram reduzidas apenas para 40h semanais. Em Espanha também triunfou uma Frente Popular, apoiada não apenas nos comunistas e socialistas mas também nos anarquistas e sindicatos operários. Esta tomou medidas semelhantes àquelas que foram tomadas em França, contudo o domínio desta Frente Popular não teve grande êxito por muito tempo visto que viu-se confrontada pelas forças monárquicas, conservadoras e falangistas que se denominavam como Frente Nacional. Este confronto deu origem a vários conflitos entre a República democrática e a tal denominada Frente Nacional, fazendo com que Espanha passasse um períodos de violentas guerras civis.
Enquanto que nos EUA deu-se a grande crise económica de 1929-30 que abalou violentamente toda a economia americana e europeia( que dependia da americana), na Europa os movimentos de extrema direita iam fazendo frente às democracias liberais dando origem a conflitos políticos e sociais. Na Itália, Alemanha e mesmo em Portugal e Espanha a implantação do fascismo foi inevitável visto que era a única solução vista para a resolução dos problemas de origem económica e política que tanto abalavam estes países e fazia com que a instabilidade tanto política como social aumentasse. Nalguns casos, os líderes fascistas foram eleitos democraticamente( criando um pequeno paradoxo com os princípios de extrema-direita) e noutros estes surgiram devido a golpes contra os sistemas democráticos predominantes. Tendo em consideração que os sistemas governativos autoritários não seguiam princípios democráticos e eram bastante rigorosos no estabelecimento da ordem social pois davam importância à colectividade social e à integração do indivíduo neste grupo e não dava importância ao indivíduo enquanto entidade particular, não podemos ignorar o facto de que a situação económica e o desenvolvimento industrial dos países em questão melhorou e aumentou respectivamente baseadas na agricultura, nas obras públicas e na indústria pesada.
Segundo o economista britânico Keynes, o Estado devia intervir na economia pela sua "política fiscal". A este processo deu-se o nome de intervencionismo que consistia no papel activo do Estado em todas as actividades económicas de forma a evitar os danos provocados pelo liberalismo económico.
A solução que foi tomada pelo novo presidente dos EUA, Franklin Roosevelt, ficou conhecida sob o nome de New Deal. Esta talvez foi a melhor solução perante as dificuldades económicas do estado americano visto que se baseava muito na agricultura e nos recursos naturais existentes nos EUA. O New Deal consistiu num conjunto de reformas e iniciativas económicas e sociais. Foram tomadas algumas medidas financeiras bastante rigorosas que incluíram o encerramento de instituições bancárias, e estabelecimento de sanções contra os especuladores e a requisição de ouro. Também o dólar não escapou às alterações visto que sofreu uma desvalorização em Abril de 1933 o que fez com que as dívidas externas baixassem e fez subir os preços, fazendo com que houvesse uma inflação controlada que aumentou os lucros das empresas. Insistiu-se num investimento nas obras públicas, tal como nas estradas, nas vias-férreas, aeroportos, habitações e escolas, de forma a criar postos de emprego para descer a taxa de desemprego.( A taxa de desemprego consistia em 1932 em 25% e com a aplicação do New Deal esta desceu 10%).
Por outro lado, o presidente americano apostou e estabeleceu a protecção à agricultura através de empréstimos aos agricultores e de indemnizações que os compensassem pela redução das áreas cultivadas. Da mesma forma foi estabelecida a protecção à indústria e ao trabalho industrial com a fixação de preços mínimos e máximo controlando por um lado os preços e por outro deixando com que houvesse pequenas concorrências não fugindo muito às características do capitalismo.
Já entre 1935 e 1938, época considerada como a segunda fase do New Deal, esta medida preocupou-se mais com o meio social. Deste modo, reconheceu-se a liberdade sindical e o direito à greve, regularizou-se a reforma por velhice e invalidez, instituiu-se o fundo de desemprego e o auxílio aos pobres, foi estabelecido o salário mínimo e foi reduzido o horário semanal de trabalho( 44h semanais). Todas estas reformas fizeram com que o Governo Federal americano fosse visto como um Estado-Providência, devido aos ideais que seguiu. Mesmo após este conjunto de reformas que não seguiu por completo o keynesianismo, o desemprego continuo a manifestar-se ( 15%) principalmente entre 1936 e 1939. Roosevelt recorreu a uma planificação parcial da economia, através do estabelecimento dos preços mínimos e máximos e de quotas de produção e tornou o Estado "corporativista" de forma a unir os empresários com os operários de maneira a eliminar a forte concorrência, factor que já era observado na Itália e que destinava-se na abolição das diferenças entre as classes sociais.
Tal como já referi anteriormente, a crise também abalou alguns estados europeus. França foi um dos países que não sentiu esta situação tão profundamente. Contudo, a crise francesa aumentava devido à insistência dos governos em políticas deflacionistas, fazendo com que as classes médias, os agricultores e os operários saíssem prejudicados com as medidas tomadas pelo Estado. Os partidos da esquerda viram-se confrontados com as críticas da parte de grandes ligas nacionalistas que defendiam a implantação de um sistema autoritário como solução para a implantação da ordem social e regularização da situação económica em que o país se encontrava. Desta forma, a democracia francesa via-se ameaçada pelas contestações da direita. As constantes manifestações da extrema-direita fizeram com que em 1934 o Governo radical fosse demitido e fizeram com que se iniciasse uma mobilização dos cidadãos que se convergiu numa coligação de esquerda conhecida como Frente Popular. Esta era constituída por partidários comunistas, socialistas e radicais. Os governos da Frente Popular forneceram um notável impulso à legislação social, na sequência de um movimento grevista caracterizado pelas ocupações das fábricas que afectou a indústria no geral( automóvel, aeronáutica, grandes armazéns, bancos e escritórios). Com a assinatura do "Acordos de Matignon", tal como nos EUA foram tomadas um conjunto de reformas que consistiram nos contractos de trabalho entre os empregadores e assalariados em que se aceitava a liberdade sindical e se previam aumentos salariais. Também as horas semanais de trabalho sofreram alterações visto que foram reduzidas apenas para 40h semanais. Em Espanha também triunfou uma Frente Popular, apoiada não apenas nos comunistas e socialistas mas também nos anarquistas e sindicatos operários. Esta tomou medidas semelhantes àquelas que foram tomadas em França, contudo o domínio desta Frente Popular não teve grande êxito por muito tempo visto que viu-se confrontada pelas forças monárquicas, conservadoras e falangistas que se denominavam como Frente Nacional. Este confronto deu origem a vários conflitos entre a República democrática e a tal denominada Frente Nacional, fazendo com que Espanha passasse um períodos de violentas guerras civis.
Enquanto que nos EUA deu-se a grande crise económica de 1929-30 que abalou violentamente toda a economia americana e europeia( que dependia da americana), na Europa os movimentos de extrema direita iam fazendo frente às democracias liberais dando origem a conflitos políticos e sociais. Na Itália, Alemanha e mesmo em Portugal e Espanha a implantação do fascismo foi inevitável visto que era a única solução vista para a resolução dos problemas de origem económica e política que tanto abalavam estes países e fazia com que a instabilidade tanto política como social aumentasse. Nalguns casos, os líderes fascistas foram eleitos democraticamente( criando um pequeno paradoxo com os princípios de extrema-direita) e noutros estes surgiram devido a golpes contra os sistemas democráticos predominantes. Tendo em consideração que os sistemas governativos autoritários não seguiam princípios democráticos e eram bastante rigorosos no estabelecimento da ordem social pois davam importância à colectividade social e à integração do indivíduo neste grupo e não dava importância ao indivíduo enquanto entidade particular, não podemos ignorar o facto de que a situação económica e o desenvolvimento industrial dos países em questão melhorou e aumentou respectivamente baseadas na agricultura, nas obras públicas e na indústria pesada.
sábado, 13 de novembro de 2010
As opções totalitárias
No início do século XX, o nacionalismo crescia aos poucos e poucos, tendo sido uma das causas da Primeira Guerra Mundial. Também o demoliberalismo tentava instalar-se no território europeu, pretendendo a liberdade e a igualdade entre os indivíduos, visto que o Estado pretendia ser neutro e baseava-se na divisão dos poderes. A própria vitória dos Aliados, pretendia o progresso da democracia na Europa. Contudo, com o passar dos anos '20, o demoliberalismo via-se confrontado por outros movimentos ideológicos e políticos, que viam o Estado como órgão omnipotente e totalitário. Desta forma nascem os sistemas totalitaristas tal como na Rússia, na Alemanha e em Itália. O totalitarismo caracterizava-se como o sistema político que defendia que o poder devia estar nas mãos de uma só pessoa ou partido único, cabendo ao Estado o controlo da vida social e individual.
Recorreu-se a estes sistemas totalitários, visto que viam-se nestes mesmos a solução para as crises económicas provocadas pela democracia liberal. Foi desta forma que surgiu o fascismo italiano e o nazismo alemão.
O sistema totalitário fascista e nazista eram bastante parecidos no que toca à oposição ao liberalismo, à democracia parlamentar e ao socialismo. Ambos defendiam que acima do indivíduo havia um Estado, existia a colectividade e a grandeza da Nação. Tal como já referi, ambos estes sistemas eram totalmente contra o parlamentarismo e desvalorizavam a democracia partidária. Também o socialismo via-se contrariado pelos totalitarismos europeus, pois este defendia a afirmação do indivíduo e não da Nação e da colectividade. O socialismo defendia que o indivíduo devia lutar pela a afirmação da sua classe social. Já o totalitarismo via o enfraquecimento do Estado ao haver uma divisão entre classes. Desta forma concebeu-se um modelo de organização socioeconómica, o corporativismo( caracteriza-se pela aceitação da propriedade privada, contudo estabelece como necessária a intervenção do Estado), destinado a promover a colaboração entre as classes. Com a instalação do corporativismo, as greves e os lock-out passam a ser proibidos fazendo com que não haja paralisações de trabalho que podiam ter prejuízos na economia.
Tal como o nome indica, o totalitarismo exerceu-se a todos os níveis, político, económico, social e até cultural. A oposição política foi aniquilada por completo, as actividades económicas sofreram uma rigorosa regulamentação, a sociedade viu-se controlada por completo pelo Estado visto que foi proibida a liberdade de expressão e de pensamento.
Os chefes de Estados foram elevados ao nível de heróis, até de deuses, pois eram eles o exemplo a seguir.
Visto que os partidos foram proibidos, existindo apenas um partido as massas basicamente só podiam votar num só partido, fazendo com que os chefes pudessem afirmar que foram escolhidos por sufrágio universal sem recorrer a qualquer solução forçada. Tal como na Itália, também na Alemanha os jovens eram desde cedo educados de maneira a seguirem os ideais predominantes no Estado, desta forma nascem as juventudes Fascistas e Nazis.
Ambas estas potencialidades totalitárias demonstravam um forte racismo e anti-semitismo. Na Alemanha isso foi mais notório, com a exclusão dos judeus não sendo considerados como indivíduos da raça pura, ou seja, da raça ariana, que se caracterizava por vários factores.
Uma boa forma de chamar a atenção e para conseguir a adesão de um maior número possível das massas, foi a propaganda, sendo esta um conjunto de meios destinados a influenciar a opinião pública. A violência e o desrespeito dos direitos humanos também se evidenciou com a criação das polícias políticas que eram obrigadas a controlar toda a sociedade e não denunciar/penalizar qualquer indivíduo que estivesse contra o sistema presente no Estado.
No que toca a questão económica, na Itália e na Alemanha foi instalada uma política intervencionista e nacionalista que ficou conhecida como a autarcia. Esta consistia na auto-suficiência económica apelando-se ao povo trabalhador com o objectivo de fazer desaparecer o desemprego.
Na Itália, o enquadramento das actividades em corporações facilitou-lhe uma certa planificação económica. Desta forma, realizaram-se grandes batalhas de produção. Por exemplo a batalha de trigo permitiu o aumento da produção de cereais e fez diminuir as importações que eram as responsáveis pelo défice comercial. O Estado italiano interveio também na industria tendo assumido o controlo dos volumes das importações e das exportações. Ao ter conquistado a Etiópia, esta passou a explorar intensivamente fontes de energia e de minérios, tentando equilibrar da melhor forma possível a economia do Estado e tentando fazer com que este seja auto-suficiente, que lhe permitia a sua independência económica.
Ao contrário de Mussolini, que apostou mais na agricultura, Hitler investiu mais nos transportes e na indústria pesada. Foram então construídas auto-estradas, pontes e linhas férreas. Destas maneira o desemprego também viu-se abolido aos poucos. As realizações económicas do nazismo renderam-lhe a adesão das massas e mesmo a admiração de países ocidentais.
Podemos afirmar que ambos estes países totalitários, basearam-se nalguns princípios mercantilistas( maior exportação e menor importação) para conseguirem aderir à auto-suficiência.
Já do outro lado, com a morte de Lenine, forte defensor do marxismo e chefe do Partido Comunista, em 1924, sobe ao poder Estaline, que na chefia de Lenine exercia o cargo de secretário-geral do Partido Comunista. Mesmo sendo um suposto defensor do socialismo, Estaline recorreu ao totalitarismo querendo fazer da Rússia a maior potência mundial. Visto que ao aplicar a NEP Lenine abdicou de algumas empresas e permitiu a sua privatização e também abdicou de algumas terras permitindo aos camponeses vender os seus produtos livremente, contudo tendo que entregar uma parte ao Estado, recorrendo parcialmente ao capitalismo, Estaline voltou a nacionalizar todas as terras, por vezes utilizando a força. Contudo, mesmo forçando esta nacionalização das terras, a Rússia consegue aumentar a sua produção.
A economia russa era planificada de 5 em 5 anos, ao contrário da economia capitalista que era liberal e vivia da concorrência. O Estado russo, investiu bastante na indústria pesada tal como o Estado alemão.
Foram equivalentemente importados profissionais estrangeiros para se conseguir a formação de engenheiros e especialistas que viriam a participar no desenvolvimento da indústria.
Vemos como estes 3 estados totalitários foram muito parecidos nos meios utilizados para o desenvolvimento industrial e agrícola que contribuíram para a sua afirmação auto-suficiente, contudo enquanto que na Itália e na Alemanha predominava o capitalismo na Rússia predominava uma economia planeada que consistia na produção de produtos apenas em quantidades necessárias para a sobrevivência do povo.
Recorreu-se a estes sistemas totalitários, visto que viam-se nestes mesmos a solução para as crises económicas provocadas pela democracia liberal. Foi desta forma que surgiu o fascismo italiano e o nazismo alemão.
O sistema totalitário fascista e nazista eram bastante parecidos no que toca à oposição ao liberalismo, à democracia parlamentar e ao socialismo. Ambos defendiam que acima do indivíduo havia um Estado, existia a colectividade e a grandeza da Nação. Tal como já referi, ambos estes sistemas eram totalmente contra o parlamentarismo e desvalorizavam a democracia partidária. Também o socialismo via-se contrariado pelos totalitarismos europeus, pois este defendia a afirmação do indivíduo e não da Nação e da colectividade. O socialismo defendia que o indivíduo devia lutar pela a afirmação da sua classe social. Já o totalitarismo via o enfraquecimento do Estado ao haver uma divisão entre classes. Desta forma concebeu-se um modelo de organização socioeconómica, o corporativismo( caracteriza-se pela aceitação da propriedade privada, contudo estabelece como necessária a intervenção do Estado), destinado a promover a colaboração entre as classes. Com a instalação do corporativismo, as greves e os lock-out passam a ser proibidos fazendo com que não haja paralisações de trabalho que podiam ter prejuízos na economia.
Tal como o nome indica, o totalitarismo exerceu-se a todos os níveis, político, económico, social e até cultural. A oposição política foi aniquilada por completo, as actividades económicas sofreram uma rigorosa regulamentação, a sociedade viu-se controlada por completo pelo Estado visto que foi proibida a liberdade de expressão e de pensamento.
Os chefes de Estados foram elevados ao nível de heróis, até de deuses, pois eram eles o exemplo a seguir.
Visto que os partidos foram proibidos, existindo apenas um partido as massas basicamente só podiam votar num só partido, fazendo com que os chefes pudessem afirmar que foram escolhidos por sufrágio universal sem recorrer a qualquer solução forçada. Tal como na Itália, também na Alemanha os jovens eram desde cedo educados de maneira a seguirem os ideais predominantes no Estado, desta forma nascem as juventudes Fascistas e Nazis.
Ambas estas potencialidades totalitárias demonstravam um forte racismo e anti-semitismo. Na Alemanha isso foi mais notório, com a exclusão dos judeus não sendo considerados como indivíduos da raça pura, ou seja, da raça ariana, que se caracterizava por vários factores.
Uma boa forma de chamar a atenção e para conseguir a adesão de um maior número possível das massas, foi a propaganda, sendo esta um conjunto de meios destinados a influenciar a opinião pública. A violência e o desrespeito dos direitos humanos também se evidenciou com a criação das polícias políticas que eram obrigadas a controlar toda a sociedade e não denunciar/penalizar qualquer indivíduo que estivesse contra o sistema presente no Estado.
No que toca a questão económica, na Itália e na Alemanha foi instalada uma política intervencionista e nacionalista que ficou conhecida como a autarcia. Esta consistia na auto-suficiência económica apelando-se ao povo trabalhador com o objectivo de fazer desaparecer o desemprego.
Na Itália, o enquadramento das actividades em corporações facilitou-lhe uma certa planificação económica. Desta forma, realizaram-se grandes batalhas de produção. Por exemplo a batalha de trigo permitiu o aumento da produção de cereais e fez diminuir as importações que eram as responsáveis pelo défice comercial. O Estado italiano interveio também na industria tendo assumido o controlo dos volumes das importações e das exportações. Ao ter conquistado a Etiópia, esta passou a explorar intensivamente fontes de energia e de minérios, tentando equilibrar da melhor forma possível a economia do Estado e tentando fazer com que este seja auto-suficiente, que lhe permitia a sua independência económica.
Ao contrário de Mussolini, que apostou mais na agricultura, Hitler investiu mais nos transportes e na indústria pesada. Foram então construídas auto-estradas, pontes e linhas férreas. Destas maneira o desemprego também viu-se abolido aos poucos. As realizações económicas do nazismo renderam-lhe a adesão das massas e mesmo a admiração de países ocidentais.
Podemos afirmar que ambos estes países totalitários, basearam-se nalguns princípios mercantilistas( maior exportação e menor importação) para conseguirem aderir à auto-suficiência.
Já do outro lado, com a morte de Lenine, forte defensor do marxismo e chefe do Partido Comunista, em 1924, sobe ao poder Estaline, que na chefia de Lenine exercia o cargo de secretário-geral do Partido Comunista. Mesmo sendo um suposto defensor do socialismo, Estaline recorreu ao totalitarismo querendo fazer da Rússia a maior potência mundial. Visto que ao aplicar a NEP Lenine abdicou de algumas empresas e permitiu a sua privatização e também abdicou de algumas terras permitindo aos camponeses vender os seus produtos livremente, contudo tendo que entregar uma parte ao Estado, recorrendo parcialmente ao capitalismo, Estaline voltou a nacionalizar todas as terras, por vezes utilizando a força. Contudo, mesmo forçando esta nacionalização das terras, a Rússia consegue aumentar a sua produção.
A economia russa era planificada de 5 em 5 anos, ao contrário da economia capitalista que era liberal e vivia da concorrência. O Estado russo, investiu bastante na indústria pesada tal como o Estado alemão.
Foram equivalentemente importados profissionais estrangeiros para se conseguir a formação de engenheiros e especialistas que viriam a participar no desenvolvimento da indústria.
Vemos como estes 3 estados totalitários foram muito parecidos nos meios utilizados para o desenvolvimento industrial e agrícola que contribuíram para a sua afirmação auto-suficiente, contudo enquanto que na Itália e na Alemanha predominava o capitalismo na Rússia predominava uma economia planeada que consistia na produção de produtos apenas em quantidades necessárias para a sobrevivência do povo.
A grande depressão e o seu impacto social
Sabemos que após o primeiro maior conflito mundial, a América tornou-se a principal potência mundial, visto que a Europa encontrando-se numa situação devastadora perdeu aos poucos a sua hegemonia. Desta maneira, o capitalismo instalou-se basicamente em todo o mundo. A Europa dependia economicamente dos EUA, pois eram estes quem lhe fornecia apoios financeiros para esta conseguir recuperar após a guerra.
Dado que o continente europeu tinha o apoio dos EUA, este aos poucos conseguia desenvolver e recuperar a sua situação económica. Desta maneira, a Europa passa a importar menos produtos vindos da América, mas sem que esta se apercebesse e continuasse a aumentar a produção. Foi desta forma que chegando a 1929 os EUA confrontam-se com uma grave crise de superprodução fazendo com que o dólar perde-se o seu valor por completo e com que todas as acções fossem postas à venda pelos empresários a preços podemos dizer até ridículos, visto que eram bastante baixos em relação ao valor real destas mesmas.
Vivia-se então num clima de Grande Depressão. Já em 1920-21 pode-se dizer que os EUA, tinham tido um "aviso" daquilo que viria a acontecer em 1929.
Um factor que também teve um papel importante no derrube da economia americana, foi a facilitação do crédito, visto que este permitia com que o poder de compra se mantivesse ou aumentasse.
Segundo os estudos feitos, aproximadamente 10 mil bancos fecharam as suas portas de 1929 a 1933. Visto que a economia americana baseava-se essencialmente nos bancos e dados os encerramentos destes, e economia dos EUA viu-se arruinada.
Obviamente que seguiram-se graves consequências. Um grande número de bancos faliram, o desemprego instalou-se, a produção industrial contraiu-se, os preços baixaram drasticamente, as fábricas fecharam, a agricultura foi destruída e os animais foram abatidos. Instalou-se a miséria total por todo o território americano. Os salários sofreram, eles também, um corte drástico. Contudo a grande depressão não atingiu apenas os EUA, tendo em conta que um grande número de países dependia da economia destes. A grande deflação ( caracterizada por uma diminuição dos preços, do investimento e da procura, acompanhada de uma progressão do desemprego) expandiu-se por todo o mundo e todos os países viram-se aflitos ao devolverem as dívidas que tinham para com os americanos visto que estes aumentaram os impostos.
Esta situação ainda se expandiu por alguns anos, fazendo com que a miséria permanecesse durante algum tempo.
Toda este acontecimento ficou conhecido como o Crash da Wall Street, pois foi lá que a catástrofe económica teve o seu início. Este crash levou todo o mundo a uma grande depressão caracterizada pelo desemprego e pelas falências dos bancos e empresas. Desta forma o capitalismo liberal teve o seu primeiro falhanço fazendo com que tivessem sido tomadas e procuradas novas medidas para a regularização da economia americana e mundial.
Dado que o continente europeu tinha o apoio dos EUA, este aos poucos conseguia desenvolver e recuperar a sua situação económica. Desta maneira, a Europa passa a importar menos produtos vindos da América, mas sem que esta se apercebesse e continuasse a aumentar a produção. Foi desta forma que chegando a 1929 os EUA confrontam-se com uma grave crise de superprodução fazendo com que o dólar perde-se o seu valor por completo e com que todas as acções fossem postas à venda pelos empresários a preços podemos dizer até ridículos, visto que eram bastante baixos em relação ao valor real destas mesmas.
Vivia-se então num clima de Grande Depressão. Já em 1920-21 pode-se dizer que os EUA, tinham tido um "aviso" daquilo que viria a acontecer em 1929.
Um factor que também teve um papel importante no derrube da economia americana, foi a facilitação do crédito, visto que este permitia com que o poder de compra se mantivesse ou aumentasse.
Segundo os estudos feitos, aproximadamente 10 mil bancos fecharam as suas portas de 1929 a 1933. Visto que a economia americana baseava-se essencialmente nos bancos e dados os encerramentos destes, e economia dos EUA viu-se arruinada.
Obviamente que seguiram-se graves consequências. Um grande número de bancos faliram, o desemprego instalou-se, a produção industrial contraiu-se, os preços baixaram drasticamente, as fábricas fecharam, a agricultura foi destruída e os animais foram abatidos. Instalou-se a miséria total por todo o território americano. Os salários sofreram, eles também, um corte drástico. Contudo a grande depressão não atingiu apenas os EUA, tendo em conta que um grande número de países dependia da economia destes. A grande deflação ( caracterizada por uma diminuição dos preços, do investimento e da procura, acompanhada de uma progressão do desemprego) expandiu-se por todo o mundo e todos os países viram-se aflitos ao devolverem as dívidas que tinham para com os americanos visto que estes aumentaram os impostos.
Esta situação ainda se expandiu por alguns anos, fazendo com que a miséria permanecesse durante algum tempo.
Toda este acontecimento ficou conhecido como o Crash da Wall Street, pois foi lá que a catástrofe económica teve o seu início. Este crash levou todo o mundo a uma grande depressão caracterizada pelo desemprego e pelas falências dos bancos e empresas. Desta forma o capitalismo liberal teve o seu primeiro falhanço fazendo com que tivessem sido tomadas e procuradas novas medidas para a regularização da economia americana e mundial.
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