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domingo, 20 de março de 2011

Portugal: do autoritarismo à democracia

Tal como aconteceu com o mundo inteiro, Portugal, ficou abalado com o desenrolar da Segunda Guerra, factor que trouxe todo um conjunto de modificações para o país. Contudo, tendo sido um país neutro neste conflito, Portugal conseguiu manter o seu regime autoritário intocável durante um certo período, apesar de alguns sobressaltos que vieram a destabilizar parcialmente a ordem no país.
Como tem sido notório, após o final da guerra, surge no território europeu um vasto conjunto de países que optaram pelo regime democrático como modelo político, factor que de certo modo pressionava e jogava com a política portuguesa. E de que modo tal facto acontecia? Foi precisamente após o final da guerra que a politica portuguesa teve de enfrentar algumas dificuldades que surgiam do estrato superior, ou seja, com a afirmação de um grande número de modelos democráticos, por toda a Europa, Portugal era o único país que ainda se regia por um regime totalmente autoritário, sentindo-se este altamente pressionado politicamente. Desta forma, o Estado Novo via-se cada vez mais enfraquecido, mesmo após uma tentativa de abertura "democrática" para o exterior, que na realidade não passou de uma grande fraude.
Portanto, mesmo após todas as transformações notórias a nível mundial, a economia portuguesa continuava a apostar na agricultura como principal meio de produção, o que fazia com que o país continuasse a viver num clima de pobreza e ao mesmo tempo continuando a ser um país agrário. Mesmo após uma parcial aposta na indústria e nas obras públicas, o país não conseguiu atingir a média europeia, continuando deste modo fracamente desenvolvido o que permitia cada vez mais a evidenciação da oposição ao regime salazarista. Foi assim, que Portugal viveu num clima de tensão devido à tal dita abertura democrática para o exterior, que na realidade apenas se limitou a designar-se de tal maneira, visto que a dita democracia apenas consistiu na permissão pelo Estado Novo de eleições democráticas, acabando estas também por ser uma estratégia salazarista contra os seus opositores. Portanto, após a revisão constitucional de 1945, surgem em Portugal um conjunto de forças de oposição ao regime, forças essas de carácter democrático que ficaram conhecidas como MUD( Movimento de Unidade Democrática), conseguindo esta cada vez mais aderentes. Contudo após um conjunto de exigência feitas ao governo português, a MUD acabou por desistir mesmo antes das eleições, tendo em conta que o governo não concordou com qualquer das exigências apresentadas pelo Movimento Democrático. Mas por outro lado, o mesmo governo decidiu pôr em prática a sua estratégia cirurgica, que se baseou na interrogação de um grande conjunto de aderentes à própria MUD e mesmo no apresionamento ou despedimento dos postos de trabalho de muitos indivíduos que igualmente pertenciam à lista de apoiantes do Movimento Democrático.
Mas mesmo quando o regime salazarista pensava que tinha tudo controlado, um novo factor atravessa a "prosperidade" da ordem no país. E esse factor denomina-se NATO, organização de origem capitalista criada com finalidades defensivas devido ao surgimento de um conflito ideológico mútuo( conhecido como Guerra Fria), de que Portugal se torna membro no ano de 1949. A adesão de Portugal à NATO, permite com que as forças externas possam exercer uma maior pressão sobre o regime salazarista, mas por outro lado permite a sua existência pois este estava igualmente numa constante luta contra a ideologia comunista, ameaça vinda do bloco soviético. Baseando-se então na entrada do país na NATO, as forças oposicionistas voltam a ter oportunidade de lançarem as suas teias democráticas pelo povo. Contudo, foi só em 1958, com a candidatura do general Humberto Delgado, que se verificou uma forte mobilização e adesão à sua campanha eleitoral. Mas obviamente que o governo não podia permitir tais aconteciementos, acabando por exilar o general Delgado, que mesmo fora do país continuava a sua luta contra o regime, e denominar Américo Tomás presidente da República com aproximadamente 75% dos votos( a maioria deles falsificados).
Mas apesar desta núvem de instabilidade e oposição política que sobrevoava Portugal, outros acontecimentos se desenrolavam, desta vez a nível social, relacionando-se principalmente com a forte vaga de emigração que se verificou durante várias décadas e com a urbanização que igualmente via-se cada vez mais fortalecida. Portanto, em relação à emigração, verificou-se um grande número de movimentos para o exterior do país, grande parte para a França, causando uma instabilidade e um enfraquecimento demográfico em Portugal, quer nas cidades, quer nos espaços rurais, sendo os principais factores da emigração portuguesa, o grande atraso industrial do país que se relacionava por sua vez com a atracção pelos altos salários do estrangeiro e a segunda razão foi o início da guerra colonial que assustava o povo português que ao sair do país( principalmente os homens) evitavam o seu recrutamento para os campos de guerra em África. Mas por outro lado, a emigração portuguesa era vista como um factor de prosperidade para a economia portuguesa, visto que grande parte de lucros estrangeiros faziam-se cicular no território português, pois muitos familiares imigrantes mandavam uma parte dos seus vencimentos para os familiares cá deixados.
Por outro lado, com o início da guerra colonial, o ensino torna-se cada vez mais exigente, de modo que quem não correspondesse às expectativas do governo era automaticamente recrutado para a guerra.
Um outro factor social, que se observou principalmente nas décadas de 50 e 60, foi a intensa urbanização, que fez com que as grandes cidades absorvessem um grande número de indivíduos com habitação nos meios rurais. Foram as grandes cidades que acolheram todos os que nelas encontravam um futuro com mais sucesso e condições, pois era nestas que a indústria( mesmo pouco evoluída) se desenvolvia aos poucos e poucos, podendo ofercer um maior número de empregos, mesmo para indivíduos sem qualquer formação académica.
É neste clima, de sucessivas oposições ao regime por parte dos movimentos democráticos, que Portugal continua a ser dos únicos países onde o regime autoritário, mesmo enfrentando um conjunto de restrições que dificultam o seu funcionamento, enfraquecendo constantemente o governo e o regime do Estado Novo, continua a manter-se na frente do país não permitindo a sua evolução a nível industrial nem político. É na mesma altura que se verifica uma forte vaga de emigração, que mesmo tendo sido vista negativamente ao início, acabou por favorecer economicamente o país que permitiu a circulação de moeda vinda do exterior, mas mesmo assim não resolvendo os problemas que davam fruto às oposições e desconfianças surgidas nas respectivas épocas. Sucessivamente, dá-se o início da guerra colonial, factor esse, que nada favoreceu o regime autoritário que caiu em 1974 tendo como uma das razões a provocação de tal conflito.

domingo, 13 de março de 2011

A segunda vaga de descolonizações e a crise dos anos '70

Ultrapassado o período de guerra, o velho continente europeu sentia uma forte necessidade de renascer tanto a nível político como económico-social. Logo em 1946, o primeiro-ministro britânico, num dos seus discursos, anuncia o seu desejo de contribuir para a unificação diplomática entre os países da Europa, apelando, com uma certa margem de desconfiança, até às duas potências mundiais que se encontravam num conflito ideológico mútuo( EUA e URSS). Prosseguiu-se à criação de uma rede de organizações europeístas como sendo um rascunho da unificação pretendida por W.Churchill. Contudo, as dificuldades em chegar a um senso comum em relação às questões relacionadas com um sistema político que fosse aceite pelos membros da pretendida união fizeram-se sentir. Por um lado pretendia-se uma Europa federalista, ou seja, onde os membros têm direito a uma autonomia interna, mas não tendo qualquer direito em expressar-se sobre questões meramente internacionais. Por outro lado optava-se por uma confederação de estados independentes, pois os nacionalismos enraizados dificilmente eram ultrapassados.
No seu discurso de 1946, Churchill, ao referir-se a uma possível união dos países europeus, tinha em conta como base a cultura europeia que tem vindo a ser destruída desde 1914 com o impacto da Primeira Guerra Mundial e continuou a ser afundada com a Segunda Guerra. Mas o facto é que a primeira união baseada em relações meramente diplomáticas, surgiu entre a França e a Alemanha e não se relacionaram de modo algum com a cultura mas apenas revelaram a necessidade de uma cooperação económica de origem capitalista. Deste modo, em 1951 surge a CECA - Comunidade Europeia do Carvão e do Aço - que até 1957 tem vindo a expandir-se de forma igualitária por países como a Itália, Holanda, Luxemburgo e Bélgica, dando no mesmo ano de '57 origem à CEE( Comunidade Económica Europeia) sendo esta formalmente descrita no Tratado de Roma de 1957. A CEE pode ser considerada como o ponto de partida para a unificação de todos os países que actualmente fazem parte da União Europeia. Um factor que foi fulcral no crescimento económico-político europeu foi a união aduaneira, que consiste na livre circulação de mercadorias e que permitiu o forte crescimento económico numa média anual de 5%. Desta maneira a União Europeia tem vindo  a crescer como potência económica mundialmente reconhecida e ao mesmo tempo tem vindo a demonstrar uma política saudável e próspera para o desenvolvimento dos seus membros enquanto entidades politico-económico-sociais. 
Mas ao mesmo tempo que uma nova Europa economicamente enfortecida ergue o seu caminho para uma total prosperidade económica, política e social, uma vaga de descontentamento, por parte das colónias sob a égide dos países europeus, surge, tendo como objectivo a descolonização imediata e o alcance da independência a que esses países colonizados tinham direito, segundo a ONU. Praticamente todos os países-metrópoles viram-se forçados a abandonarem o domínio sobre os países anteriormente por si colonizados, com o risco de serem eliminados do próprio organismo das Nações Unidas em caso de não cumprimento do direito à autodeterminação e independência dos povos, com excepção a Portugal, país ainda regido por uma regime autoritário, que escavou uma guerra entre si e as suas colónias o que fez com que o regime do Estado Novo fosse fortemente criticado e pressionado internacionalmente vendo-se cada vez mais enfraquecido. 
Deste modo, os países africanos com o apoio da ONU conseguiram pegar a sua independência e o seu direito à autodeterminação. Contudo, afrontaram-se com um conjunto amplo de dificuldades, tendo que recorrer a ajudas externas, principalmente tendo que recorrer às duas potências mundiais que ideologicamente se opunham, sendo estas a URSS( o comunismo soviético) e os EUA( o capitalismo ocidental). Por outro lado, tanto os EUA como a URSS pretendiam expandir a sua ideologia e apoderando-se das dificuldades ultrapassadas pelos novos países africanos adquiriram novos aliados ideológicos. 
Mas mesmo concretizando-se como países independentes, as entidades africanas não conseguiram, nem até aos dias actuais, o desenvolvimento pretendido, sendo vistos como um "Terceiro Mundo" que apenas servia de exploração para os grandes extremos políticos e económicos que dominavam o mundo.
Porém, a partir do início dos anos '70 o mundo assiste ao surgimento de uma crise económica que afecta principalmente os estados ocidentais com bases capitalistas, pois foi nessas mesmas entidades territoriais, onde a indústria predominava, que se registou um crescimento praticamente nulo do PIB anual, afectando tal acontecimento o funcionamento das empresas que se viram obrigadas a fecharem dando origem por sua vez ao desemprego. A inflação é o fenómeno mais evidenciado e observado, pois chegou a ultrapassar os 10% criando um clima de total estagnação económica. Contudo, as principais razões da explosão inesperada desta crise tiveram as suas raízes nos conflitos com os países do Médio Oriente, principais fornecedores de petróleo, a energia natural mais utilizada, e na instabilidade monetária que se deveu à excessiva quantidade de moeda posta em circulação( principalmente o dólar).
O lado positivo desta crise é que mesmo sendo inesperada e preocupante para os países capitalistas não afectou o mantimento do crescimento, embora mais lento, que não permitiu a entrada numa balança negativa que poderia ter sido fatal para o sistema capitalista. O Estado-Providência também contribuiu para que a Grande Depressão dos anos '30 não se repetisse, reforçando o sistema de combate ao desemprego de modo a evitar situações de miséria.
Portanto, como se tem vindo a notar, após o fim da guerra, o mundo, mesmo vivendo sob um clima de tensão devido à Guerra Fria que eclodiu entre as ideologias capitalista e socialista, conseguiu superar as dificuldades económicas e conseguiu adaptar um sistema político com bases democráticas de modo a garantir a paz mundial e a cooperação entre todos os países, surgindo assim a União Europeia, em 1957, e uma rede de novas entidades independentes africanas, antigas colónias das metrópoles europeias. Mas por outro lado, após um próspero crescimento económico, nos anos '70 presenciou-se a uma quebra no aumento produtivo, mas que não teve impactos fatais para o sistema capitalista, que conseguiu de uma forma flexível adaptar-se às situações e evitando desta forma uma nova depressão que desta vez poderia ter tido uma dimensão ainda mais generalizada.

domingo, 6 de março de 2011

O grande crescimento japonês e a afirmação chinesa

Até ao final do segundo grande conflito mundial, Japão, país territorialmente pequeno e dividido( era formado por várias ilhas) e economicamente bastante pobre, devido à pouquíssima quantidade de riquezas naturais, vivia num regime de Monarquia Absoluta, acontecimento que já não se observava no mundo ocidental.
Contudo em 1946, precisamente após um ano do final da guerra e sendo Japão um dos países derrotados, visto que durante o conflito este assinou um pacto de amizade com a Alemanha Nazi, é aprovada uma constituição que teria sido o símbolo da passagem de um regime absoluto para um regime constitucional, onde o imperador perde grande parte dos seus poderes, ficando apenas com a função representativa. É na mesma constituição de 1946 que o governo japonês descreve a sua vontade da desmilitarização do país e do não mantimento de qualquer base militar com fins ofensivos. Todavia, toda esta mudança presenciada no território japonês, foi influenciada pela intervenção activa dos EUA que tinham começado uma forte resistência à ideologia comunista que ameaçava o mundo, e ajudando Japão a reconstruir-se economicamente e politicamente estes reforçavam a sua resistência ao comunismo.
Por outro lado, um factor que também foi fulcral no crescimento do Japão, foi o grande empenhamento do governo japonês, que com a ajuda do Ministério Internacional do Comércio e da Indústria, conseguiu fortificar as suas relações com os grandes grupos económicos, intervindo o Estado activamente na manutenção da economia. Para além disso, descendo o investimento nas despesas militares, chegando estas a ocuparem apenas 1% do PNB, o país conseguiu atribuir grandes investimentos públicos para o sector produtivo, fomentando a sua economia.Contudo, o grande crescimento económico do país deveu-se em grande parte ao esforço e ao espírito de sacrifício do povo nipónico. Deste modo, os trabalhadores mantinham grandes relações com a administração das empresas factor que possibilitava o bom ambiente vivido e o esforço dos trabalhadores que chegavam a viver dentro dos espaços empresariais oferecidos pelas próprias empresas de modo a que estes vivessem apenas para o trabalho e de modo a contribuírem para o forte desenvolvimento nacional. Com a aposta na industrialização do país, o governo japonês resolveu também o problema do desemprego, visto que havia uma grande quantidade de mão-de-obra barata e eram necessários cada vez mais funcionários para o bom funcionamento das empresas.
Os sectores que mais prósperos se tornaram foram principalmente os que se relacionavam com a indústria pesada e com os bens de consumo duradouros( electrodomésticos por exemplo). Também o comércio externo acompanhou esta expansão, chegando a duplicar ao mesmo tempo que as importações de matérias-primas. Entre os anos '66 e '71 o desenvolvimento dos sectores clássicos tal como os novos sectores deram um grande passo em frente, exportando as suas produções para todo o mundo fazendo com que Japão se tornasse uma das grandes potências mundiais, chegando a ultrapassar a Rússia nesse mesmo período.
Mas mesmo ao lado do potente Japão, nasce uma nova China, baseada e apoiada pelo comunismo, tendo como líder Mao-Tse-Tung, grande seguidor da ideologia marxista-leninista. Todavia, o maoísmo fugia parcialmente à ideologia tradicional de Marx, que via no operariado a essência da revolução, engrandecendo mais o papel dos camponeses aos quais atribuía o papel de revolucionários. Portanto, a economia chinesa baseava-se essencialmente na agricultura tradicional, não favorecendo de qualquer inovação tecnológica de modo a oferecer um maior número de empregos aos camponeses que eram organizados em comunas populares concebendo o modelo de vida comunitário.
Por um lado, Mao ataca Kruchtchev considerando que ao ter aceite a coexistência pacífica este fugiu aos ideais socialistas, considerando a China como o único país verdadeiramente socialista e seduzindo numerosos jovens, até os do Ocidente, afastando-se deste modo e rompendo as relações com a URSS. Mas temos por outro lado um Kruchtchev que ataca Mao afirmando que este baseou-se apenas nos camponeses ignorando o proletariado conseguindo desta forma a vitória deformando a própria ideologia marxista. Portanto, os dois líderes atacavam-se afirmando, tanto um como outro, que o líder vizinho fugia à verdadeira ideologia socialista.
Mas a grande aposta numa agricultura tradicional de Mao levou ao fracasso todo o país nos anos '60, chegando este até a ser afastado da presidência da República. Mas não desistindo e mantendo-se como líder do partido comunista, Mao lança uma nova campanha de massificação através da "Revolução Cultural" reforçada no livro de Mao conhecido como o "livro vermelho" publicado em 1964. O líder comunista revolta-se contra as estruturas não correspondentes à base económica socialista, desencadeando um conjunto de revoltas violentes que quase levaram à uma guerra civil, tendo-se chegado a recorrer ao exército para a restauração da ordem.
Contudo, após esta onda de revoluções, Mao consegue recuperar o seu poder e em 1971 até consegue com que a China entre na ONU, facto que prestigiou bastante o país em si e a sua política externa.
Sintetizando, após a grande guerra mundial que mudou o rumo do mundo para sempre, todos os povos assistiram ao grande crescimento do mundo oriental, tendo alguns povos chegando a ser potências mundiais, como foi o caso do Japão. Por outro lado, a China mesmo tendo adoptado uma política socialista, não conseguiu melhorar a situação económica do país, pois apenas se apostou numa agricultura tradicional  e tendo sido ignorado por completo o operariado, agente que normalmente se relaciona com o desenvolvimento industrial de um país.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

O mundo comunista

Tal como já tinha referido na publicação anterior, nesta edição vou abordar a questão da expansão comunista, que se deu após o grande conflito mundial e que chegou a abranger todo um conjunto de países.
Após o 1945, a URSS tornou-se numa máquina imparável que pretendia expandir a sua ideologia pelo mundo inteiro de forma a conseguir dominar todos os territórios com base no comunismo tendo em conta uma economia planificada e um forte desenvolvimento industrial. Visto que após a guerra, a URSS dominava todos os territórios da Europa Oriental até à Alemanha(mais tarde República Democrática Alemã), pois tinha-os libertado do domínio nazi, esta começa a implantar a sua ideologia socialista em todos estes países que rapidamente a adoptaram. Deste modo, até 1948 o bloco soviético tinha na sua posse definitivamente todo o território oriental do continente europeu. Os países que então adoptaram esta política comunista, auto-definiram-se como sendo democracias populares, ou seja, onde todo o poder e gestão do Estado provém das classes trabalhadoras, típica característica do regime socialista que Marx tinha descrito no século anterior e que já no século XX Lenine tentou pôr em prática através da Revolução Russa de 1917, onde o regime socialista teve êxito. Tal como os EUA, a URSS procedeu à criação de um pacto com o objectivo de facilmente conseguir a cooperação entre todos os países aderentes aos bloco socialista, ficando este conhecido como o Pacto de Varsóvia( 1955).
Seguidamente, a URSS esfomeada( como Churchill a tinha descrito num dos seus discursos) infiltrou-se no território asiático de modo a obter um maior número de aderentes à sua ideologia, que seria reforçada com base no maior número de apoiantes. Foi assim que este gigante soviético se instalou na Coreia do Norte, visto que a do Sul era dominada pelos EUA. Quando o bloco soviético tentou invadir a Coreia do Sul criou um violenta guerra entre as duas partes do país que ainda nos nossos dias afrontam-se constantemente.
Já nos restantes casos no território asiático, o regime socialista teve facilidades em implantar-se devido a uma vaga onda de revoluções nacionais que claramente foram apoiadas pelo agente principal do regime( URSS).
Este movimento alastrou-se para o território africano, onde a intervenção soviética conseguiu a instauração do seu regime nalguns países. Mas o movimento que pode ser considerado como o mais perigoso período da Guerra Fria, foi a intervenção do bloco socialista num dos territórios estrategicamente perigosos para os EUA, que foi a Cuba. Após uma revolução contra o regime ditatorial de Fulgêncio Batista, liderada por Fidel Castro e Che Guevara, e simultaneamente da recusa do apoio americano, o bloco socialista facilmente se instala no território cubano com o objectivo de dar apoio bélico aos revolucionários cubanos, sem o conhecimento dos EUA. Foi no momento do descobrimento das bases militares soviéticas pelos americanos que o terceiro conflito mundial esteve mais perto do que se pensava, desta vez muito mais perigoso devido às potencialidades atómicas de ambos os blocos. Contudo, tendo em conta que o líder russo optou por uma coexistência pacífica, o conflito evitou-se, após a retirada demorada das bases militares socialistas com a condição de que os EUA iriam retirar as suas bases militares da Turquia de modo a garantir que a URSS não estará num constante perigo de ser atacada pelos mísseis implantados no território turco.
Todo o modelo socialista da secunda metade do século XX estava baseado numa economia planificada que mais tarde viria a apresentar as suas falhas, que teriam sido fatais para a sua expansão.
Deste modo, nas primeiras décadas do pós-guerra, o socialismo ganhava cada vez mais poder industrial, devido ao forte desenvolvimento das industriais pesadas, factor que demonstrava o seu potencial em relação ao seu rival capitalista que estava ele também empenhado num forte desenvolvimento atómico. Contudo, a economia planificada da URSS aos poucos vinha a evidenciar as suas falhas de funcionamento, tal como por exemplo o fraco desenvolvimento da vida social, ou seja, empenhada num rápido crescimento industrial, esta marginaliza o aumento de condições favoráveis à população, factor que viria a reflectir-se na própria produção e gestão das grandes empresas que não tinham qualquer liberdade de autonomia. Mesmo quando o bloco soviético se apercebeu dos seus erros e tentou corrigi-los, este não conseguiu chegar ao nível pretendido de modo a equilibrar o desenvolvimento industrial e agrícola com o aumento das condições de vida da população, fazendo com que uma forte burocracia se manifestasse cada vez mais que por sua vez se traduzia num elevado aumento da corrupção, aumentando simultaneamente os bloqueios económicos  e levando à completa estagnação da economia. Com a total falha económica presenciada, os partidos comunistas viram-se aproximados do seu fim já nos anos '80.
Foi portanto na questão económica que o grande bloco socialista não prestou a atenção necessária de modo a garantir a sua existência como potência mundial por mais tempo e fracassando frente ao modelo capitalista que rapidamente se aproveitou do grande falhanço comunista.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Variação do crescimento do capitalismo económico(1800-2000)

O mundo capitalista

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, tal como já tinha referido nas publicações anteriores, surgiram no mundo duas super-potências mundiais, por um lado a URSS que se traduzia na ideologia comunista e por outro lado os EUA, ou seja, o mundo capitalista. É sobre este mundo capitalista que me irei debruçar nesta publicação.
Visto que o mundo ficou dividido entre dois blocos com ideologias diferentes que se confrontavam mutuamente através de um desenvolvimento industrial de modo a demonstrar o seu potencial bélico e industrial no geral, surge um confronto mútuo entre o capitalismo e o comunismo.
Com o fim da guerra, os EUA aplicaram uma série de reformas tanto a nível económico, com a aplicação do Plano Marshall, que permitiu a reconstrução de uma economia capitalista mesmo no território europeu, como a nível político-militar, onde foi criada uma aliança entre os ocidentais descrita no Tratado do Atlântico Norte. A aplicação deste tratado em prática deu origem à Organização do Tratado do Atlântico Norte(OTAN) que foi uma importante organização militar do pós-guerra formada pelos EUA, pelo Canadá e mais dez nações europeias. Basicamente esta organização foi criada com o fim de ser uma "arma" defensiva contra a URSS. Tendo em conta a mesma questão de segurança, os EUA criavam pontos estratégicos de modo a obter a maior segurança possível.
Contudo, ao contrario da URSS, os EUA além de apostarem em grande parte no desenvolvimento industrial, não deixaram de parte a questão socio-cultural e económica e deste modo o regime democrático deveria assegurar o bem-estar dos cidadãos e a justiça social. Após a Grande Depressão, a importância de um Estado economicamente forte evidenciava cada vez mais uma maior preocupação com as questões sociais . Surgiram simultaneamente duas correntes políticas, ambas de carácter democrático, a corrente social-democrata que tinha as suas bases no socialismo, mas que rejeita a via revolucionária proposta por Marx e a democracia cristã que se inspirava na doutrina social da Igreja e que defendia que a democracia não se devia limitar ao sufrágio universal e à alternância política, mas tem por função assegurar o bem-estar dos cidadãos. 
Mas mesmo partindo de ideologias diferentes, os sociais-democratas e os democratas-cristãos tinham como fim as reformas económicas e sociais profundas. Na Europa, os governos lançam-se num vasto programa de nacionalizações tornando-se o Estado o principal agente económico do país. Desta maneira, o sistema de impostos foi revisto, reforçou-se o carácter progressivo das taxas e a assegurou-se a redistribuição mais equitativa da riqueza nacional sob a forma de auxílios sociais. Este conjunto de medidas deu origem ao Estado-Providência, ou seja, a um Estado que não se preocupava apenas com questões meramente político-económicas mas também questões sociais e culturais.
Tal como seria de esperar, após uma maior intervenção do Estado na vida económica, foi notório um maior crescimento económico com bases mais sólidas. Foi precisamente após a guerra que o capitalismo atingiu o seu auge, tendo as produções triplicado e nalguns sectores terem-se multiplicado por dez( como no sector automóvel ou da produção energética). Esta época de plena prosperidade económica ficou conhecida como a época dos "Trinta gloriosos", trinta porque foram aproximadamente trinta anos de grande desenvolvimento económico. Portanto, nesta época de próspera actividade económica os processos que mais se destacaram relacionaram-se com: a aceleração do progresso tecnológico, o recurso ao petróleo como matéria energética por excelência, o aumento da concentração industrial e do número de multinacionais, o aumento da população activa( mão-de-obra mais qualificada), a modernização da agricultura e o crescimento do sector terciário. Consecutivamente, com o aumento da actividade económica, o aumento do poder de compra da população aumentou sem qualquer limitação. De um certo modo, as pessoas procuravam um maior conforto material, visto que tinham um bom emprego, um bom salário e boas condições no geral oferecidas pelo Estado-Providência e sucessivamente a sociedade tornava-se cada vez mais uma sociedade de consumo. Naturalmente, desenvolveram-se também as estratégias publicitárias de modo a atrair cada vez mais a população para o consumo, os bancos ofereciam cada vez mais créditos o que tornava o sistema de pagamento mais acessível aos consumidores que não se importavam com o facto de pagarem algumas taxas de juro que lhes eram impostas pelos bancos onde lhes eram dados os créditos em questão.
Desta maneira, o período pós-guerra foi um período de plena prosperidade politico-economico-social, devido ao desenvolvimento constante da economia e das condições de vida das populações com a criação do Estado-Providência. Foi principalmente neste mesmo período que após ter falhado nos anos '30, o capitalismo volta a tentar atingir o seu auge e consegue-o através do crescimento do consumismo que aumentava graças às estratégias utilizadas pelos próprios estados. Foi, contudo, nos EUA que o consumismo foi o fenómeno mais observado e que pretendia expandir-se pelo mundo fora, devido à concorrência externa da URSS, ou seja, do sistema comunista.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O Tempo da Guerra Fria

Já antes do início da Segunda Guerra Mundial, os EUA estavam afirmados no mundo como sendo uma super-potência que tinha grandes expectativas e grandes meios para conseguir alargar e espalhar a sua ideologia capitalista. Contudo, após a vitória dos Aliados sobre os regimes totalitários europeus, a Rússia começa por ganhar meios para se afirmar como uma das maiores potências, nomeadamente chegando a fazer concorrência aos próprios EUA. Foi o surgimento desta concorrência entre as duas potências mundiais( URSS e EUA) que traduziu o desejo, de ambos os lados, de expandirem a sua ideologia pelo mundo fora, fazendo com que houvesse mais adesão possível dos países de todo o mundo. É assim que surge uma "guerra mútua" entre o mundo capitalista e o mundo socialista, baseando-se no desenvolvimento industrial de cada país( URSS e EUA), tentando assim mostrar qual é o mais potente a nível industrial, ou seja, o tal conflito mútuo que é conhecido com o nome de "Guerra Fria" baseou-se num grande e rápido desenvolvimento industrial de ambas as partes.
Temos por um lado uma América, que aproveitando-se da situação devastadora em que o continente europeu se  encontrava, com o objectivo de espalhar a sua ideologia capitalista e  lutar contra a expansão do socialismo, oferece a sua ajuda a nível económico a uma Europa enfraquecida depois de um conflito que deixou o continente totalmente abalado, tanto economicamente como social e politicamente. Desta maneira é aplicado um plano económico conhecido como o "Plano Marshall", que consistia num sistema livre de comércio entre os países capitalistas, ou seja, com este plano era posta em prática uma economia mundial activa, que tal como George Marshall afirma "...permite a existência de instituições livres[...]e não se dirige contra nenhum país ou doutrina...".
Por outro lado, temos uma resposta quase imediata da Rússia em 1949, dois anos após a criação do plano americano, com a criação de um plano económico socialista com o nome de "Plano Molotov" e que mais tarde daria origem ao COMECOM( Conselho de Assistência Económica Mútua) que era uma instituição destinada a promover o desenvolvimento integrado dos países comunistas sob o controlo da URSS.
Procede-se deste modo à divisão do mundo em dois blocos, mais precisamente, o mundo ficou dividido entre duas super-potências com ideologias distintas, uma capitalista e outra socialista. Uma forte prova, por assim dizer, da tal divisão verificou-se na divisão do espaço físico da Alemanha entre o mundo socialista e o mundo capitalista com a construção de um muro que era a própria prova de tal divisão, ficando assim a Alemanha dividida em duas partes, uma denominada como República Federal Alemã( EUA, França e Inglaterra) e a outra conhecida como a República Democrática Alemã(URSS).
Este afrontamento entre as duas super-potências mundiais prolongou-se até meados dos anos '80, altura em que o bloco soviético demonstrou os seus primeiros sinais de fraqueza( irei falar destas nas próximas actualizações). Durante toda esta concorrência mútua entre os dois blocos, o mundo inteiro viveu num clima de constante tensão com a desconfiança e o medo do surgimento de uma nova guerra que poderia vir a ser devastadora para toda a humanidade, visto que desta vez a indústria bélica estava bastante avançada e poderia ser fatal para o mundo.
Deste modo, durante a Guerra Fria, cada um dos blocos correu ao desenvolvimento da indústria bélica para demonstrar as suas potencialidades e o seu poder industrial, fazendo com que a concorrência crescesse cada vez mais e com que a situação ficasse cada vez mais tensa entre as duas potências. Todavia estas acabavam por se influenciar uma a outra sempre atentas ao "inimigo" ideológico.

sábado, 29 de janeiro de 2011

As novas regras da economia internacional

No período do pós-guerra o planeamento político dos países foi acompanhado por um planeamento económico com o objectivo de estruturar a situação monetária e financeira do período de paz.
Como se sabe, a Rússia, após a vitória sobre o nazismo, começou a surgir como a segunda potência mundial fazendo uma grande concorrência aos EUA que já se encontravam no topo económico do mundo, ou seja, era a principal potência mundial. Visto que os EUA eram contra os regimes autoritários europeus que segundo estes prejudicavam o crescimento económico estavam desejosos por uma nova ordem económica baseada na cooperação internacional onde o dólar viria a ser a moeda-chave.
Por outro lado, devido às perdas da guerra as colónias dos países europeus também viram-se prejudicadas e surgiu-lhes o desejo da independência, ou seja, o desejo de pôr fim ao domínio europeu. Foi desta maneira que surgiram os grandes rivais mundiais, a URSS e os EUA, ou seja, devido à grande concorrência que surgirá entre estas cada uma tentava dar o maior apoio possível aos países que estavam ansiosos pela independência de forma a conseguir mais adesão possível à sua ideologia, do lado americano ao capitalismo e do lado russo ao socialismo. Deste modo surgiu um grande movimento de descolonização tanto no continente africano como no continente asiático. Foi com a descolonização que os impérios europeus viram o seu fim tendo sido o fenómeno político mais relevante da segunda metade do século XX.
Resumindo, tanto a URSS como os EUA tentavam ajudar o maior número de antigas colónias de forma a conseguirem um maior apoio ideológico, ou seja, ao ajudarem as colónias implantarem a sua independência estas pretendiam uma adesão à sua ideologia, ao capitalismo da parte dos EUA e ao socialismo da URSS. Deste modo surgirá mais tarde uma grande conflito mútuo entre estes dois rivais que será denominado como o período da Guerra Fria, que predominou até aproximadamente ate ao final do século XX.  

sábado, 22 de janeiro de 2011

A reconstrução do pós-guerra

Com o surgimento dos regimes fascistas na Europa, sendo estes grandes potências industriais, veio-se a alertar o surgimento de um novo conflito mundial, que talvez tivesse tido a sua encenação na Guerra Civil de Espanha entre os 1936-1939, disputada entre os falangistas( apoiantes do general Franco) e a Frente Popular onde as potências fascistas contribuíram com o seu apoio para a implantação de um regime ditatorial e onde estes mesmos testaram a industria bélica que mais tarde viriam a utilizar na Segunda Guerra Mundial.
Por mais bem preparados e por mais investimentos que tivessem feito na industria pesada os regimes fascistas vieram a sofrer a derrota desta vez também. Países como França, Inglaterra, EUA e talvez a principal protagonista a URSS saíram vencedores fazendo frente aos regimes autoritários europeus. 
Logo em Fevereiro de 1945 realiza-se a primeira conferência de paz em Ialta com o objectivo de se estabelecerem as regras que devem sustentar a nova ordem internacional do pós-guerra. Foi aí que se definiram as fronteiras da Polónia( país antes disputado entre a URSS e a Alemanha), prosseguiu-se à divisão da Alemanha pelos países vencedores, planeou-se uma futura conferência sobre a questão da fundação da Organização das Nações Unídas(ONU) e tal como no Tratado de Versalhes estabeleceu-se uma quota a pagar pela Alemanha devido às reparações da guerra. Mais tarde viria a ser desenvolvida uma outra conferência, desta vez em Potsdam, mas desta vez num clima mais tenso visto que começavam a surgir as desconfianças em relação às ideias expansionistas de Estaline e do regime comunista. Os princípios desta conferência baseavam-se na ordem política, ou seja, principalmente na destruição do regime totalitário alemão. Dizendo por outras palavras nesta conferência foram discutidos e aprovados princípios meramente relacionados com ideologias. 
Como não podia deixar de acontecer, após a guerra surge um novo quadro geopolítico, acontecimento comum após um conflito de ideologias e potencias industriais. Deste modo a Alemanha fica dividida pelos vencedores e surgem novos países independentes, principalmente no território africano, onde muitas antigas colónias conseguem libertar-se do domínio da metrópole. 
Por outro lado, ao serem libertados pelos soldados russos do regime nazi, alguns países da Europa de Leste adoptaram rapidamente o sistema socialista e fizeram com que surgisse uma nova desconfiança da parte do mundo capitalista que tanto como os socialistas queriam divulgar a sua ideologia e acumular cada vez mais apoiantes. Surge portanto uma grande concorrência mútua entre os capitalistas( EUA) e os comunistas ( URSS) devido às suas ideologias. Falo nos EUA e na URSS porque eram as duas maiores potências mundiais existentes naquela altura e duas grandes rivais devido às suas ideologias que tanto queriam expandir pelo mundo fora. Contudo num dos discursos  que o primeiro-ministro inglês, Winston Churchill, faz na Universidade de Fulton este fala sobre o receio de a Rússia querer tudo aquilo a que ela, a seu ver, tem direito e poder desta forma provocar um outro conflito, ou seja, já logo após o final da guerra Churchill chama a atenção para o perigo de uma nova guerra mas desta vez provocada pelo regime comunista que tem vindo a ameaçar o mundo capitalista. Em resposta, Estaline apresenta um argumento pouco fundamentado e talvez até sem qualquer nexo comparando o PM inglês ao chanceler alemão, Hitler, afirmando que este apenas validava e valorizava os povos que falassem a língua inglesa, ou seja, querendo dizer que Churchill fazia o mesmo que o Hitler fez com as questões relacionadas com a etnia racial e com a língua germânica, criando deste modo um povo egocêntrico e superior aos outros povos existentes. Atrevo-me a afirmar que tal comparação é pouco racional e não tem qualquer fundamento que a prove, visto que Churchill apenas elogiou os EUA e o mundo capitalista por estarem no cume do poder mundial e não teve qualquer intervenção onde evidenciasse a importância da língua inglesa ou algo do mesmo género. 
Como já tinha referido, em 1945 foi criada uma organização de ilimitada importância para uma paz estável e duradoura que ainda na actualidade existe e é denominada como ONU, ou seja, Organização das Nações Unidas. Os propósitos fundamentais da ONU são: manter a paz, desenvolver relações de amizade, desenvolver a cooperação internacional e funcionar como centro harmonizador. Na Declaração Universal dos Direitos do Homem, em 1948, todos os documentos fundamentais das Nações Unidas passaram a fazer parte dando uma maior credibilidade e diversidade à Declaração. Deste modo para além dos Direitos atribuídos em 1789 na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão esta nova Declaração viria a ter um valor não apenas relacionado com os direitos sociais do Homem, mas sim um valor económico-social. 
Por sua vez a ONU era constituída por múltiplos órgãos de funcionamento tal como: a Assembleia-Geral, o Conselho de Segurança, o Secretariado-Geral, o Conselho Económico e Social, o Tribunal Internacional de Justiça e o Conselho de Tutela.
Surgem também agências especializadas entre as quais a FMI( Fundo Monetário Internacional) e o BIRD( Banco Mundial) sendo este capitalista visto que a maioria dos países aderentes à ONU regiam-se pelos sistema económico capitalista.
O pós-guerra trouxe muitas mudanças a nível mundial tanto geopolíticas como sociais e económicas. Observou-se o crescimento e a constante concorrência entre as duas maiores potências mundiais, URSS e EUA, que mais tarde seria conhecida como a Guerra Fria devido à sua característica mútua e constante tensão vivida mundialmente. A criação da ONU foi talvez a melhor medida tomada com o fim de evitar qualquer conflito futuro que poderá surgir e que ainda hoje desempenha um cargo importantíssimo a nível mundial sendo a coordenadora da paz e da coesão mundial.  

sábado, 8 de janeiro de 2011

Estado Novo( Continuação)

Conta-nos a história que em 1933 entrou em vigor em Portugal uma nova constituição, que veio a alterar maioritariamente as leis que predominavam durante todo o período da República portuguesa e que se encontravam registadas na Constituição de 1911.
Visto que desde 1926 Portugal vivia num regime ditatorial, a dita Constituição veio a reforçar ainda mais o poder executivo do país, pois segundo o chefe de Estado só este garantia um Estado forte e autoritário.
Tal como nos outros estados de origem fascista, em Portugal defendia-se o Partido Único, pois a existência de mais do que um partido, segundo Salazar, desunia o povo português e isso ia contra os seus princípios. Foi igualmente criado o corporativismo, sendo este o modelo da organização económica, social e política. Contudo, apesar de terem sido descritas várias corporações na Constituição de 1933, apenas foram postas em prática as de natureza económica, sendo esta a forma como o Estado controlava a economia do país.
Uma estratégia para a adesão do povo ao regime predominante foi a criação de diferenciadas instituições e associações de maneira a conseguir o enquadramento das massas. À semelhança dos outros estados autoritários, em Portugal também se adoptou a estratégia da propaganda para uma maior adesão do povo português e para isso foi criado o Secretariado da Propaganda Nacional( SPN). Neste contexto podemos também referir a concretização da União Nacional, uma organização não partidária constituída por apoiantes do regime onde se discutiam assuntos políticos.
Mais uma semelhança entre o estado português e os estados fascistas observou-se na criação da Legião Portuguesa( organização paramilitar) e da Mocidade Portuguesa( semelhante à Juventude Hitleriana e Fascista) que veio a estimular mais o facto de Portugal se aproximar cada vez mais de um Estado fascista e autoritário. A censura também ela viu-se a ser expandida no território português como um meio de manter a ordem social tendo-se proibido a publicação de muitos jornais e/ou livros que o Estado considerava provocadores da instabilidade social.
Sendo um país autoritário, o estado português não podia deixar de prosseguir à criação de um aparelho repressivo que seria responsável pela defesa da ordem social e geral. Foi então que surgiu a PVDE( Polícia de Vigilância e de Defesa do Estado) que após o final da Segunda Guerra Mundial viria a denominar-se PIDE( Polícia Internacional e de Defesa do Estado). Tal como na Alemanha ou na Itália, em Portugal a PIDE também utilizava estratégias bastante violentas para demonstrar o seu poder aos cidadãos e para transmitir a mensagem de que deve ser mantida a total ordem social no Estado para que este possa ser forte e possa desempenhar as suas funções sem se preocupar com qualquer tipo de instabilidade.
Apesar de todas estas medidas tomadas, a principal preocupação do Estado, ou melhor dizendo de Salazar, era a situação económica que tanto abalava o país, afinal de contas ele tinha sido o Ministro das Finanças de Portugal e encontrava-se dentro de toda a matéria económica e financeira do estado português. Encontraremos fortes semelhanças entre Salazar e Mussolini visto que o chefe italiano era um grande exemplo para o chefe português que viria a organizar uma economia bastante semelhante àquela em que Mussolini tinha apostado, ou seja, tal como o chefe italiano, Salazar apostou principalmente na agricultura devido à sua ideia de que desta forma seria muito mais difícil os portugueses organizarem-se em grandes agrupamentos para realizar greves e instabilidades pois estes não iriam invadir a cidade mas sim manteriam-se nos espaços rurais para conseguirem realizar as suas actividades relacionadas com a agricultura. Deste modo viria a instalar-se no país o modelo intervencionista e autárcico. Contudo, a economia portuguesa não se limitou apenas à agricultura, mas também viu-se abrangida pelas obras públicas, pela indústria e pelas colónias, ramos em que o Estado Novo apostou para um desenvolvimento positivo e rápido do país. Contudo a política intervencionista de Salazar era submetida a variadíssimas críticas dos opositores, chegando a ser afirmado de que o Orçamento proposto não era para um desenvolvimento contínuo do estado português mas sim para a estagnação do mesmo. Numa dessas críticas podemos constatar o descontentamento pelas medidas tomadas pelo Salazar: "O erro dele foi querer equilibrar o Orçamento só criando receitas e sobrecarregando com novos impostos[...]suprimindo ou diminuindo as despesas não reprodutivas..."diz-nos Afonso Costa numa entrevista que deu ao jornal "O Primeiro de Janeiro"(censurado em Portugal) em 1933 encontrando-se em Paris. Apesar destas críticas da oposição, o facto é que Salazar conseguiu um equilíbrio orçamental através da aplicação dos impostos e de uma melhor administração dos dinheiros públicos. Uma das medidas tomadas foi também o aumento dos impostos sobre as importações fazendo com que estas diminuíssem e com que o país ficasse menos dependente do exterior, tornando-se cada vez mais independente economicamente. Uma vantagem em relação aos outros países europeus foi a questão da sua neutralidade na Segunda Guerra Mundial, o que fez com que o país mantivesse o seu equilíbrio financeiro. Como já referi anteriormente, o Estado Novo apostou em grande parte na agricultura, construindo barragens com o fim de uma melhor irrigação de solos. Apostou-se muito na produção vinícola, do arroz, da batata, do azeite, da cortiça e das frutas. Um processo igual e com o mesmo nome que ocorria na Itália, A Campanha do Trigo, viu-se expandida pelo território português vista como o equilíbrio dos sectores produtivos e principalmente do sector cerealífero. Esta medida nas dadas circunstâncias era um princípio mercantilista que visava a maior exportação e uma menor importação. Devido a este crescimento da produção de cereais, o estado português, num período de crise e de instabilidade que atingia todo o território europeu, conseguiu tornar-se um país auto-suficiente. Por outro lado, a política de autarcia abrangeu também a questão das obras públicas, tendo sido construída uma rede de caminhos-de-ferro e de pontes e também tendo sido construídas  e reparadas estradas de maneira a que a comunicação e o mercado interno pudesse facilmente funcionar. Além disso, a rede telegráfica e telefónica também foi expandida, tal como a electrificação foi.
Tendo em conta um espírito crítico, devemos apreciar todas ou pelo menos a maioria das medidas relacionadas com o desenvolvimento de Portugal que o Dr. Salazar se atreveu a pôr em prática com a ajuda de outros elementos que o apoiavam. Mesmo tendo sido um chefe rigoroso( característica descritiva de um chefe autoritário) e tendo tomado medidas prejudiciais a nível social, não podemos critica-lo tendo em conta apenas factores que mesmo após a sua morte predominavam no Estado português devido aos actos violentos de algumas organizações implantadas durante a existência do Estado Novo para controlar e manter a ordem social, mas devíamos encontrar e apreciar o lado positivo da sua estadia no poder, que foi o facto de ele ter sido o homem quem conseguiu melhorar a situação económica pavorosa em que o país se encontrava antes e após a implantação da República.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Portugal: O Estado Novo

Após a implantação da República em 1910 e do sistema parlamentar o país vivia uma fase de uma constante instabilidade governativa. Constantes greves e manifestações devido ao não cumprimento das promessas que a República tinha feito abalavam a situação social do país. A entrada de Portugal na Primeira Guerra  Mundial piorou mais ainda o descontentamento social e a instabilidade governamental, provocando também os desequilíbrios económicos. Já antes da instauração do Estado Novo, o país teve algumas experiências de ditaduras, contudo de pouca duração. Por exemplo, em 1915 o poder ficou nas mãos do general Pimenta de Castro que dissolveu o Parlamento e instalou uma ditadura militar. Todavia, este não esteve no poder muito tempo, tendo sido preso mais tarde. Seguiu-se Sidónio Pais, que em Dezembro de 1917 dissolvendo o Congresso fez-se eleger presidente por eleições directas em 1918, defendendo o presidencialismo. Este também não teve o poder por muito tempo, tendo sido assassinado mais tarde.
Só em 1926, após longas instabilidades políticas, através de um golpe de Estado promovido pelos militares acabou-se com a República parlamentar portuguesa.A facilidade da implantação das ditaduras em Portugal deveu-se às fracas bases democráticas do país. Foi então com a implantação de uma ditadura militar que o Estado Novo teve o seu início, mantendo-se esta até 1933, ano em que sobe ao poder talvez o mais marcante ditador da história portuguesa, o Dr.António de Oliveira Salazar que já antes era Ministro das Finanças.
Com as sucessivas mudanças de chefes do Executivo resultou o agravamento do défice orçamental.
António de Oliveira Salazar ficou encarregue da pasta das Finanças em 1928, com a função de melhor gerir as despesas dos ministérios.
Pela primeira vez, a situação económica de Portugal apresentou saldo positivo no Orçamento. Devido a este factor, em 1932, Salazar candidatou-se para a chefia do Governo, desde cedo mostrando os seus propósitos de instaurar uma nova ordem política.
Desta forma, em 1933 chegou ao ponto de ser afirmada uma nova Constituição, submetida ao plebiscito nacional. Foi então que se afirmou o Estado Novo, como sendo um forte Estado autoritário que condicionava as liberdades individuais aos interesses da Nação.Com a implantação de um Estado autoritário,corporativo e conservador, Portugal começou uma nova fase da sua vida.Segundo comparações com outros chefes autoritários vemos como Salazar se identificava com o chefe italiano, Mussolini. Foi principalmente na questão económica que estes dois chefes de estados se assemelharam visto que os dois começaram por apostar na agricultura do país, enquanto que por exemplo Hitler, o chanceler alemão, começou logo com a indústria pesada e com o rearmamento do país, pois tinha como objectivo a ocupação de territórios e o seu domínio. Foi através do seu forte conservadorismo e tradicionalismo que o Estado português se distinguiu dos outros estados fascistas, repousando em valores e conceitos morais tal como: Deus, Pátria, Família, Autoridade, Paz Social, Hierarquia, Moralidade e Austeridade. Visto que era de uma família rural, Salazar criticava a sociedade urbana e industrial, definindo-a como uma fonte de vícios. Com a subida de Salazar ao poder, a religião passou a ter de novo uma grande importância para os valores morais da sociedade. Por outro lado, a mulher era vista apenas como dona de casa, pois o seu trabalho fora do lar era visto como uma ameaça à estabilidade familiar.
Também foi notório  no Estado Novo, um nacionalismo exuberante. Salazar tendia sempre a engrandecer o povo português principalmente pelos seus feitos históricos, vendo os portugueses como heróis. Mesmo sendo comparado aos outros chefes totalitários da Europa, sabe-se que Salazar não demonstrava tanta violência face à sociedade, justificando que isso ia contra os princípios da moral cristã e das tradições nacionais do Estado. Como um forte estado autoritário, Portugal identificou-se com os outros estados fascistas no que toca ao antiparlamentarismo, ao antiliberalismo e à antidemocracia. O indivíduo enquanto ser único não tinha qualquer importância se não fosse integrado no Estado colectivo, na Nação. Para Salazar apenas a valorização do poder executivo era o garante de um Estado forte e autoritário, pois diz-nos ele que foi devido às "divisões intestinas" que se davam as "sucessivas revoluções[...]e a desordem constitucional".
Tal como na Itália, a consolidação do Estado Novo passou pelo culto do chefe que fez de Salazar o "salvador da Pátria", contudo com as suas devidas particularidades, ou seja, mostrando-se avesso às multidões e cultivando a discrição, a austeridade e a moralidade, ao contrário de Mussolini que transmitia uma imagem militarista, agressiva e viril.

sábado, 27 de novembro de 2010

A resistência das democracias liberais

A crise de 1929 que teve origem nos EUA, teve impacto não só no território americano mas também foi notório principalmente na Europa, visto que alguns países do continente europeu dependiam economicamente dos EUA. Desta forma, com o fracasso do capitalismo devido ao processo de superprodução, a depressão dos anos 30 abrangeu um grande número de países e revelou as fragilidades deste sistema liberal.
Segundo o economista britânico Keynes, o Estado devia intervir na economia pela sua "política fiscal". A este processo deu-se o nome de intervencionismo que consistia no papel activo do Estado em todas as actividades económicas de forma a evitar os danos provocados pelo liberalismo económico.
A solução que foi tomada pelo novo presidente dos EUA, Franklin  Roosevelt, ficou conhecida sob o nome de New Deal. Esta talvez foi a melhor solução perante as dificuldades económicas do estado americano visto que se baseava muito na agricultura e nos recursos naturais existentes nos EUA. O New Deal consistiu num conjunto de reformas e iniciativas económicas e sociais. Foram tomadas algumas medidas financeiras bastante rigorosas que incluíram o encerramento de instituições bancárias, e estabelecimento de sanções contra os especuladores e a requisição de ouro. Também o dólar não escapou às alterações visto que sofreu uma desvalorização em Abril de 1933 o que fez com que as dívidas externas baixassem e fez subir os preços, fazendo com que houvesse uma inflação controlada que aumentou os lucros das empresas. Insistiu-se num investimento nas obras públicas, tal como nas estradas, nas vias-férreas, aeroportos, habitações e escolas, de forma a criar postos de emprego para descer a taxa de desemprego.( A taxa de desemprego consistia em 1932 em 25% e com a aplicação do New Deal esta desceu 10%).
Por outro lado, o presidente americano apostou e estabeleceu a protecção à agricultura através de empréstimos aos agricultores e de indemnizações que os compensassem  pela redução das áreas cultivadas. Da mesma forma foi estabelecida a protecção à indústria e ao trabalho industrial com a fixação de preços mínimos e máximo controlando por um lado os preços e por outro deixando com que houvesse pequenas concorrências não fugindo muito às características do capitalismo.
Já entre 1935 e 1938, época considerada como a segunda fase do New Deal, esta medida preocupou-se mais com o meio social. Deste modo, reconheceu-se a liberdade sindical e o direito à greve, regularizou-se a reforma por velhice e invalidez, instituiu-se o fundo de desemprego e o auxílio aos pobres, foi estabelecido o salário mínimo e foi reduzido o horário semanal de trabalho( 44h semanais). Todas estas reformas fizeram com que o Governo Federal americano fosse visto como um Estado-Providência, devido aos ideais que seguiu. Mesmo após este conjunto de reformas que não seguiu por completo o keynesianismo, o desemprego  continuo a manifestar-se ( 15%) principalmente entre 1936 e 1939. Roosevelt recorreu a uma planificação parcial da economia, através do estabelecimento dos preços mínimos e máximos e de quotas de produção e tornou o Estado "corporativista" de forma a unir os empresários com os operários de maneira a eliminar a forte concorrência, factor que já era observado na Itália e que destinava-se na abolição das diferenças entre as classes sociais.
Tal como já referi anteriormente, a crise também abalou alguns estados europeus. França foi um dos países que não sentiu esta situação tão profundamente. Contudo, a crise francesa aumentava devido à insistência dos governos em políticas deflacionistas, fazendo com que as classes médias, os agricultores e os operários saíssem prejudicados com as medidas tomadas pelo Estado. Os partidos da esquerda viram-se confrontados com as críticas da parte de grandes ligas nacionalistas que defendiam a implantação de um sistema autoritário como solução para a implantação da ordem social e regularização da situação económica em que o país se encontrava. Desta forma, a democracia francesa via-se ameaçada pelas contestações da direita. As constantes manifestações da extrema-direita fizeram com que em 1934 o Governo radical fosse demitido e fizeram com que se iniciasse uma mobilização dos cidadãos que se convergiu numa coligação de esquerda conhecida como Frente Popular. Esta era constituída por partidários comunistas, socialistas e radicais. Os governos da Frente Popular forneceram um notável impulso à legislação social, na sequência de um movimento grevista caracterizado pelas ocupações das fábricas que afectou a indústria no geral( automóvel, aeronáutica, grandes armazéns, bancos e escritórios). Com a assinatura do "Acordos de Matignon", tal como nos EUA  foram tomadas um conjunto de reformas que consistiram nos contractos de trabalho entre os empregadores e assalariados em que se aceitava a liberdade sindical e se previam aumentos salariais. Também as horas semanais de trabalho sofreram alterações visto que foram reduzidas apenas para 40h semanais. Em Espanha também triunfou uma Frente Popular, apoiada não apenas nos comunistas e socialistas  mas também nos anarquistas e sindicatos operários. Esta tomou medidas semelhantes àquelas que foram tomadas em França, contudo o domínio desta Frente Popular não teve grande êxito por muito tempo visto que viu-se confrontada pelas forças monárquicas, conservadoras e falangistas que se denominavam como Frente Nacional. Este confronto deu origem a vários conflitos entre a República democrática e a tal denominada Frente Nacional, fazendo com que Espanha passasse um períodos de violentas guerras civis.
Enquanto que nos EUA  deu-se a grande crise económica de 1929-30 que abalou violentamente toda a economia americana e europeia( que dependia da americana), na Europa os movimentos de extrema direita iam fazendo frente às democracias liberais dando origem a conflitos políticos e sociais. Na Itália, Alemanha e mesmo em Portugal e Espanha a implantação do fascismo foi inevitável visto que era a única solução vista para a resolução dos problemas de origem económica e política que tanto abalavam estes países e fazia com que a instabilidade tanto política como social aumentasse. Nalguns casos, os líderes fascistas foram eleitos democraticamente( criando um pequeno paradoxo com os princípios de extrema-direita) e noutros estes surgiram devido a golpes contra os sistemas democráticos predominantes. Tendo em consideração que os sistemas governativos autoritários não seguiam princípios democráticos e eram bastante rigorosos no estabelecimento da ordem social pois davam importância à colectividade social e à integração do indivíduo neste grupo e não dava importância ao indivíduo enquanto entidade particular, não podemos ignorar o facto de que a situação económica e o desenvolvimento industrial dos países em questão melhorou e aumentou respectivamente baseadas na agricultura, nas obras públicas e na indústria pesada.

sábado, 13 de novembro de 2010

As opções totalitárias

No início do século XX, o nacionalismo crescia aos poucos e poucos, tendo sido uma das causas da Primeira Guerra Mundial. Também o demoliberalismo tentava instalar-se no território europeu, pretendendo a liberdade e a igualdade entre os indivíduos, visto que o Estado pretendia ser neutro e baseava-se na divisão dos poderes. A própria vitória dos Aliados, pretendia o progresso da democracia na Europa. Contudo, com o passar dos anos '20, o demoliberalismo via-se confrontado por outros movimentos ideológicos e políticos, que viam o Estado como órgão omnipotente e totalitário. Desta forma nascem os sistemas totalitaristas tal como na Rússia, na Alemanha e em Itália. O totalitarismo caracterizava-se como o sistema político que defendia que o poder devia estar nas mãos de uma só pessoa ou partido único, cabendo ao Estado o controlo da vida social e individual.
Recorreu-se a estes sistemas totalitários, visto que viam-se nestes mesmos a solução para as crises económicas provocadas pela democracia liberal. Foi desta forma que surgiu o fascismo italiano e o nazismo alemão.
O sistema totalitário fascista e nazista eram bastante parecidos no que toca à oposição ao liberalismo, à democracia parlamentar e ao socialismo. Ambos defendiam que acima do indivíduo havia um Estado, existia a colectividade e a grandeza da Nação. Tal como já referi, ambos estes sistemas eram totalmente contra o parlamentarismo e desvalorizavam a democracia partidária. Também o socialismo via-se contrariado pelos totalitarismos europeus, pois este defendia a afirmação do indivíduo e não da Nação e da colectividade. O socialismo defendia que o indivíduo devia lutar pela a afirmação da sua classe social. Já o totalitarismo via o enfraquecimento do Estado ao haver uma divisão entre classes. Desta forma concebeu-se um modelo de organização socioeconómica, o corporativismo( caracteriza-se pela aceitação da propriedade privada, contudo estabelece como necessária a  intervenção do Estado), destinado a promover a colaboração entre as classes. Com a instalação do corporativismo, as greves e os lock-out passam a ser proibidos fazendo com que não haja paralisações de trabalho que podiam ter prejuízos na economia.
Tal como o nome indica, o totalitarismo exerceu-se a todos os níveis, político, económico, social e até cultural. A oposição política foi aniquilada por completo, as actividades económicas sofreram uma rigorosa regulamentação, a sociedade viu-se controlada por completo pelo Estado visto que foi proibida a liberdade de expressão e de pensamento.
Os chefes de Estados foram elevados ao nível de heróis, até de deuses, pois eram eles o exemplo a seguir.
Visto que os partidos foram proibidos, existindo apenas um partido as massas basicamente só podiam votar num só partido, fazendo com que os chefes pudessem afirmar que foram escolhidos por sufrágio universal sem recorrer a qualquer solução forçada. Tal como na Itália, também na Alemanha os jovens eram desde cedo educados de maneira a seguirem os ideais predominantes no Estado, desta forma nascem as juventudes Fascistas e Nazis.
Ambas estas potencialidades totalitárias demonstravam um forte racismo e anti-semitismo. Na Alemanha isso foi mais notório, com a exclusão dos judeus não sendo considerados como indivíduos da raça pura, ou seja, da raça ariana, que se caracterizava por vários factores.
Uma boa forma de chamar a atenção e para conseguir a adesão de um maior número possível das massas, foi a propaganda, sendo esta um conjunto de meios destinados a influenciar a opinião pública. A violência e o desrespeito dos direitos humanos também se evidenciou com a criação das polícias políticas que eram obrigadas a controlar toda a sociedade e não denunciar/penalizar qualquer indivíduo que estivesse contra o sistema presente no Estado.
No que toca a questão económica, na Itália e na Alemanha foi instalada uma política intervencionista e nacionalista que ficou conhecida como a autarcia. Esta consistia na auto-suficiência económica apelando-se ao povo trabalhador com o objectivo de fazer desaparecer o desemprego.
Na Itália, o enquadramento das actividades em corporações facilitou-lhe uma certa planificação económica. Desta forma, realizaram-se grandes batalhas de produção. Por exemplo a batalha de trigo permitiu o aumento da produção de cereais e fez diminuir as importações que eram as responsáveis pelo défice comercial. O Estado italiano interveio também na industria tendo assumido o controlo dos volumes das importações e das exportações. Ao ter conquistado a Etiópia, esta passou a explorar intensivamente fontes de energia e de minérios, tentando equilibrar da melhor forma possível a economia do Estado e tentando fazer com que este seja auto-suficiente, que lhe permitia a sua independência económica.
Ao contrário de Mussolini, que apostou mais na agricultura, Hitler investiu mais nos transportes e na indústria pesada. Foram então construídas auto-estradas, pontes e linhas férreas. Destas maneira o desemprego também viu-se abolido aos poucos. As realizações económicas do nazismo renderam-lhe a adesão das massas e mesmo a admiração de países ocidentais.
Podemos afirmar que ambos estes países totalitários, basearam-se nalguns princípios mercantilistas( maior exportação e menor importação) para conseguirem aderir à auto-suficiência.
Já do outro lado, com a morte de Lenine, forte defensor do marxismo e chefe do Partido Comunista, em 1924, sobe ao poder Estaline, que na chefia de Lenine exercia o cargo de secretário-geral do Partido Comunista. Mesmo sendo um suposto defensor do socialismo, Estaline recorreu ao totalitarismo querendo fazer da Rússia a maior potência mundial. Visto que ao aplicar a NEP Lenine abdicou de algumas empresas e permitiu a sua privatização e também abdicou de algumas terras permitindo aos camponeses vender os seus produtos livremente, contudo tendo que entregar uma parte ao Estado, recorrendo parcialmente ao capitalismo, Estaline voltou a nacionalizar todas as terras, por vezes utilizando a força. Contudo, mesmo forçando esta nacionalização das terras, a Rússia consegue aumentar a sua produção.
A economia russa era planificada de 5 em 5 anos, ao contrário da economia capitalista que era liberal e vivia da concorrência. O Estado russo, investiu bastante na indústria pesada tal como o Estado alemão.
Foram equivalentemente importados profissionais estrangeiros para se conseguir a formação de engenheiros e especialistas que viriam a participar no desenvolvimento da indústria.
Vemos como estes 3 estados totalitários foram muito parecidos nos meios utilizados para o desenvolvimento industrial e agrícola que contribuíram para a sua afirmação auto-suficiente, contudo enquanto que na Itália e na Alemanha predominava o capitalismo na Rússia predominava uma economia planeada que consistia na produção de produtos apenas em quantidades necessárias para a sobrevivência do povo.

A grande depressão e o seu impacto social

Sabemos que após o primeiro maior conflito mundial, a América tornou-se a principal potência mundial, visto que a Europa encontrando-se numa situação devastadora perdeu aos poucos a sua hegemonia. Desta maneira, o capitalismo instalou-se basicamente em todo o mundo. A Europa dependia economicamente dos EUA, pois eram estes quem lhe fornecia apoios financeiros para esta conseguir recuperar após a guerra.
Dado que o continente europeu tinha o apoio dos EUA, este aos poucos conseguia desenvolver e recuperar a sua situação económica. Desta maneira, a Europa passa a importar menos produtos vindos da América, mas sem que esta se apercebesse e continuasse a aumentar a produção. Foi desta forma que chegando a 1929 os EUA confrontam-se com uma grave crise de superprodução fazendo com que o dólar perde-se o seu valor por completo e com que todas as acções fossem postas à venda pelos empresários a preços podemos dizer até ridículos, visto que eram bastante baixos em relação ao valor real destas mesmas.
Vivia-se então num clima de Grande Depressão. Já em 1920-21 pode-se dizer que os EUA, tinham tido um "aviso" daquilo que viria a acontecer em 1929.
Um factor que também teve um papel importante no derrube da economia americana, foi a facilitação do crédito, visto que este permitia com que o poder de compra se mantivesse ou aumentasse.
Segundo os estudos feitos, aproximadamente 10 mil bancos fecharam as suas portas de 1929 a 1933. Visto que a economia americana baseava-se essencialmente nos bancos e dados os encerramentos destes, e economia dos EUA viu-se arruinada.
Obviamente que seguiram-se graves consequências. Um grande número de bancos faliram, o desemprego instalou-se, a produção industrial contraiu-se, os preços baixaram drasticamente, as fábricas fecharam, a agricultura foi destruída e os animais foram abatidos. Instalou-se a miséria total por todo o território americano. Os salários sofreram, eles também, um corte drástico. Contudo a grande depressão não atingiu apenas os EUA, tendo em conta que um grande número de países dependia da economia destes. A grande deflação ( caracterizada por uma diminuição dos preços, do investimento e da procura, acompanhada de uma progressão do desemprego) expandiu-se por todo o mundo e todos os países viram-se aflitos ao devolverem as dívidas que tinham para com os americanos visto que estes aumentaram os impostos.
Esta situação ainda se expandiu por alguns anos, fazendo com que a miséria permanecesse durante algum tempo.
Toda este acontecimento ficou conhecido como o Crash da Wall Street, pois foi lá que a catástrofe económica teve o seu início. Este crash levou todo o mundo a uma grande depressão caracterizada pelo desemprego e pelas falências dos bancos e empresas. Desta forma o capitalismo liberal teve o seu primeiro falhanço fazendo com que tivessem sido tomadas e procuradas novas medidas para a regularização da economia americana e mundial.

sábado, 23 de outubro de 2010

Portugal no primeiro pós-guerra

Como já sabemos, após a implantação da República em Portugal, esta teve que enfrentar várias dificuldades, tanto a nível económico como a nível social e político.
Um outro grande factor que contribuiu ainda mais para o agravamento das coisas foi a entrada de Portugal na Primeira Guerra Mundial. Isto aconteceu em 1916, fazendo com que os desequilíbrios económicos e o descontentamento social se acentuassem ainda mais.
Havia uma grande falta de bens de consumo que fazia com que o desespero, principalmente dos estratos mais desfavorecidos aumentasse. O défice da balança comercial crescia cada vez mais, a dívida pública aumentava e desta forma o país continuava a galopar para uma inflação cada vez maior.
Com esta grande crise que se vivia, as classes médias, que tinham apoiado tanto a República, viam-se traídas por esta. Também o operariado ficava cada vez mais descontente, provocando desta forma graves agitações sociais.
Como já tinha referido, com a entrada de Portugal na Primeira Guerra Mundial, a instabilidade política agravou, pois já antes da entrada para a guerra o país estava ameaçado por uma ditadura militar.Com a dita ditadura, Sidónio Pais destituiu o presidente da República e dissolveu o Congresso fazendo-se eleger presidente por eleições directas em 1918. Este apoiou-se principalmente nos monárquicos, dizendo-se como o fundador de uma Nova República. Este não esteve muito tempo no poder, tendo sido assassinado em Dezembro de 1918. Com a morte de Sidónio Pais e com o fim do sidonismo ( foi assim que ficou denominada a época em que este esteve no poder), houve uma guerra civil em Lisboa e no Norte do país, que fez com que os monárquicos se aproveitassem e ensaiassem uma dita "Monarquia do Norte" proclamada na cidade do Porto. Em Março de 1919, parecia-se que o funcionamento democrático das instituições regressou, porém este estava bastante instável, visto que havia uma divisão entre os republicanos que se agravou, as maiorias parlamentares jamais se verificaram. A esta instabilidade política juntava-se também actos de violência, que faziam com que a situação agravasse ainda mais e a instabilidade social e política aumentasse.
Desta forma notou-se o grande fracasso da República que fez com que a oposição se reorganizasse. Como consequência, os grandes proprietários e capitalistas criaram em 1922, a Confederação Patronal, que mais tarde se transformou em União dos Interesses Económicos. Também as classes médias apoiaram um governo forte que poderia vir a salvar a sua situação económica.
Como Portugal não tinha bases democráticas fortes e além disso, como se encontrava numa profunda crise socioeconómica, tornou-se um país facilmente dominante pelo autoritarismo. Como consequência, a Primeira República portuguesa caiu em 28 de Maio de 1926, após um golpe militar e sem qualquer apoio a não ser do Partido Democrático e dos sindicalistas.
O poder viria a cair nas mãos dos católicos e dos neo-sidonistas, o nome que este grupo viria a adquirir, liderados pelo general Carmona.
Vimos então que a Primeira República portuguesa teve imensas dificuldades para enfrentar, e não tinha muitos meios para o fazer. Foram estes motivos que levaram para o fracasso desta e para a instalação do autoritarismo em Portugal. Se não fosse a Primeira Guerra, talvez a Primeira República tivesse sobrevivido e continuado a luta contra todas as dificuldades pós-revolucionárias.

Mutações nos comportamentos e na Cultura

Após o fim da Primeira Guerra Mundial, houve uma notória mudança nos comportamentos e mesmo a nível cultural. Foi notória também uma grande urbanização que fazia das cidades o principal centro cultural e social dos países. Com o desenvolvimento das cidades, ou melhor, com o crescimento demográfico a nível urbano, o próprio indivíduo deixa de ter tanta importância e passa a ser apenas "mais um". Começou-se a dar mais importância aos lazeres e ao consumo, fazendo com que surgisse uma nova cultura baseada nas distracções.
A convivência entre os sexos passou a ser mais livre e até podemos dizer que passou a ser sem preconceitos, dado que a mulher passou a ser mais observada e conseguiu livrar-se do domínio masculino. Esta começou a visitar clubes nocturnos, começou a fumar, a beber, cortou o cabelo, diminuiu a saia, entre muitas outras coisas. Desta forma a mulher começou a ser encarada como um verdadeiro ser social activo.
Também foi notório o desenvolvimento do gosto pelo desporto e pelos meios de transporte industrializados, principalmente pelo automóvel. Desta maneira, as classes médias foram a principal marca da modernidade nas primeiras décadas do século XX.
A brutalidade da guerra, fez com que todos os valores morais e sociais desaparecessem fazendo com que se instalasse um clima de relativismo, ou seja, tudo aquilo que antes era basicamente uma obrigação de um individuo evaporou-se com o fim da Primeira Guerra. Valores como por exemplo, o casamento, a família, o papel da mulher, que irei falar mais à frente, os preceitos religiosos, tudo isto desapareceu com o choque da guerra e podemos dizer que vivia-se um clima de crise de consciência. Foi este relativismo de valores que fez com que as mudanças acelerassem ainda mais.
Falaremos então da emancipação feminina. Como já tinha referido, a mulher teve um grande impacto na sociedade a partir do início do século XX. Principalmente depois da Primeira Guerra Mundial, esta teve a oportunidade de ser afirmar como ser social activo, como já tinha dito. E como é que ela o fez? Um dos meios que a mulher utilizou para se afirmar foi a participação na vida política, ou seja, nos vários países europeus, esta foi ganhando cada vez mais o direito de votar. Em Portugal, temos o exemplo de uma grande mulher que teve uma importância enorme para a sociedade feminina, que foi Ana de Castro Osório. Esta organizou várias organizações e associações para apoiar as mulheres portuguesas.
Tal como a mulher começou e ela a trabalhar, esta viu-se cada vez menos dependente do Homem, visto que agora podia também sustentar-se a si própria e aos seus filhos, se fosse o caso.
Foi desta forma que a mulher mostrou a toda a sociedade masculina o seu valor social.
Uma outra consequência da guerra, a nível cultural e social, foi a mudança do pensamento, ou seja, passou-se de um pensamento absolutista para um pensamento relativista. E o que é que isto quer dizer? Quer isto dizer que até o início da Primeira Guerra Mundial, as pessoas regiam-se segundo várias leis, tradições, costumes, religiões e muitos outros padrões culturais e sociais e além disso acreditava-se numa verdade absoluta, porém após o fim da guerra, todos estes padrões desapareceram e no lugar da dita verdade absoluta apareceu o relativismo. Este defendia a impossibilidade do conhecimento absoluto e defende que todo o conhecimento depende do espaço, tempo e meio onde este se desenvolve. Um grande cientista da época foi Einstein, considerado o "génio" do século XX.
A questão de o ser humano ser totalmente racional também foi estudada, neste caso pelo Freud. Este chegou à conclusão de que a mente humana não é totalmente racional, mas tem uma zona que é obscura, a que Freud deu o nome de inconsciente. Esta ciência ficou conhecida sob o nome de psicanálise.
Vimos como a Primeira Guerra Mundial teve um forte impacto e nos valores humanos, tendo "apagado" tudo aquilo que existiu e tendo contribuído para a aparição de novas culturas e novos valores sociais. Estes foram devidamente notórios nos comportamentos dos indivíduos, tendo estes mudado as sociedades. Houve um notório crescimento da urbanização que fez com que o indivíduo perde-se uma grande parte do seu valor que lhe era atribuído e fazendo parte de um grande palco onde este era e ainda hoje é, apenas mais um figurante.

domingo, 3 de outubro de 2010

A regressão do demoliberalismo

No período após-guerra, a Europa encontrava-se numa situação extremamente difícil, tanto a nível económico como a nível social. Porém, o principal problema continuava a ser a grave situação económica que se mantinha firme e não permitia o desenvolvimento dos países europeus.
Inúmeras greves e manifestações eram organizadas pelos operários europeus, que se baseavam no sistema predominante na Rússia, e que pensavam que os seus países deviam seguir para um melhor funcionamento da sociedade.
Mesmo havendo países europeus, onde predominava o capitalismo, que estavam contra a Rússia e contra o seu sistema, esta segunda potência nascente continuava a querer expandir o comunismo por todo o mundo, ou seja, estes pretendiam com que nascessem revoluções socialistas no território europeu.
Os partidos socialistas e sociais-democratas da Europa, que quisessem seguir o mesmo rumo que o Partido Comunista na Rússia, eram obrigados a libertarem-se das tendências reformistas-revisionistas, anarquistas e pequeno-burguesas e deviam apoiar o bolchevismo e o centralismo democrático. Só desta maneira estes partidos poderiam vir a ter o nome de partidos comunistas.
Devido a estes acontecimentos, em todos os países europeus, se não todos, a maioria, sofreu alterações a nível social e político.
Na Alemanha, por exemplo, os operários, os soldados e marinheiros reuniram-se em conselhos, inspirados no modelo russo. Graves conflitos a nível nacional surgiram e no território alemão. A facção de extrema-esquerda do partido social-democrata enfrentava a República parlamentar de Weimar. Os revolucionários proclamaram em Berlim uma república socialista, e mais tarde fundaram o Partido Comunista alemão. A fundação deste partido fez com que as forças leais ao Governo executassem os chefes do movimento comunista. Porém, alguns meses depois, os operários e os chamados comunistas voltaram a mostrar o seu descontentamento através de novas manifestações.
Basicamente a mesma situação viu-se na Hungria. Devido à pressão interna e externa o comunismo não conseguiu desenvolver-se o suficiente e o seu líder retirou-se em Agosto de 1919.
Na Itália também podia observar-se o mesmo cenário, tal como na França e Grã-Bretanha.
Uma solução prevista para a resolução deste problema a nível de todo o território europeu foi a recorrência ao autoritarismo. Para a burguesia financeira e mesmo para os pequeno-burgueses e classes médias, que estavam afectados pela enorme inflação que lhes roubava o poder de compra, a instalação do regime autoritário era a única solução para o melhoramento da economia nacional e para a paz e dignidade do país e do povo.
Foi assim que surgiram os primeiros movimentos autoritários, conservadores e nacionalistas, principalmente onde a democracia liberal não dispunha de bases suficientemente fortes.
Desta forma, na Itália, surge Mussolini, que ao organizar a Marcha sobre Roma, obrigou o rei italiano a nomeá-lo chefe do Executivo. Foi aí que Mussolini instalou no território italiano a sua ditadura conhecida como fascismo. Para o chefe italiano, o Estado representava "...a colectividade nacional...".
Tal como na Itália, nos outros países europeus como a Espanha, Hungria,Bulgária,Grécia,Portugal, Polónia, Áustria e outros foi implantado um governo autoritário.
Na Alemanha com o aparecimento de Hitler, também foram grandes as mudanças, pois pouco tempo mais tarde surgiu o nazismo, que foi a ditadura da direita mais trágica alguma vez conhecida.
Devido a todas estas mudanças, notou-se obviamente a regressão do demoliberalismo e a implantação do autoritarismo como solução para a resolução dos problemas existentes a nível europeu.

A implantação do marxismo-leninismo na Rússia

No ano de 1917, quando se deu a primeira revolução na Rússia, ainda governava o czar Nicolau II. Durante a sua governação o povo viveu nas piores condições, pois no Império dominava a fome e a miséria.
Como consequência no território russo tinham lugar inúmeras tensões sociais e até políticas. Os camponeses, os operários e até a burguesia e a nobreza liberal estavam empenhados em retirar todo o poder ao czar.
Além das condições más em que o,ainda, Império Russo se encontrava, este foi-se envolver na Primeira Guerra Mundial, que teve consequências devastadoras para todo o Império. Claramente, o descontentamento do povo aumentava cada vez mais. Liberais e socialistas denunciavam a incompetência do czar e dos seus ministros, querendo pôr fim à sua governação e ao Império.
Foi em Fevereiro de 1917 que as mulheres, acompanhadas dos operários manifestaram-se na capital do império, Petrogrado, com o objectivo de derrubar o czar. Foi então que os operários se juntaram numa assembleia, denominada Soviete.
O czar porém não queria abdicar do seu poder, "No dia da minha coroação, jurei o poder absoluto.", disse o rei quando o grão-duque pediu ao Nicolau II que este concedesse uma Constituição.
Obviamente que o povo ficou ainda mais agitado com as decisões do czar e desta maneira, sem qualquer apoio, este abdicou dos seus poderes a 2 de Março, pondo fim ao Império Russo.
No poder, ficou o Governo Provisório que estava empenhado na instauração de uma democracia parlamentar e que não retirou o país da guerra com o pensamento de ainda ter possibilidades de ganhar este conflito que tanto abalou a Rússia.
Do outro lado por todo o país os operários, os camponeses, os soldados e marinheiros juntavam-se em aos sovietes e tinham como objectivo o afastamento do Governo Provisório do poder, a retirada do país da guerra e a confiscação das propriedades.
Com o desenlace desta situação por todo o país, Lenine, defensor do marxismo, tomou a dianteira, fazendo-se reconhecido pela sua teoria, por todo o mundo.
Em 1918, explode um conflito a nível nacional, conhecido como A Guerra Civil Russa. Neste conflito armado participaram os bolcheviques, conhecidos como Os Guardas Vermelhos e entre os opositores ao bolchevismo, conhecidos como o exército branco, formado na maioria pelos burgueses e apoiado pelos corpos expedicionários da Inglaterra, França, EUA e Japão.
Após conflitos consecutivos Os Guardas Vermelhos acabaram por ganhar esta guerra civil.
Lenine defendia que para a construção de uma sociedade socialista, era necessário implementar, primeiramente, a ditadura do proletariado que devia possibilitar a supressão do Estado e eliminar a desigualdade social. Diz-nos Lenine que "...somente na sociedade comunista[...] que os capitalistas desaparecem e as classes também[...]e é então que o Estado cessa a sua existência e que se torna possível falar de liberdade."
Com a subida do Lenine ao poder, como chefe dos bolcheviques, toda a economia do país foi nacionalizada, ou seja, já não havia qualquer propriedade privada. Era ao Estado que competia a distribuição de bens, igualmente para todos. Para Lenine o Estado era o próprio povo, pois desta forma formavam a sociedade perfeita.
A dita ditadura do proletariado transformou-se na ditadura do Partido Comunista, era assim que passou a designar-se o Partido Bolchevista. Foram proibidos todos os partidos com excepção ao Partido Comunista, e desta maneira o poder era apenas do partido único.
Porém, com o desenlace da Guerra Civil o descontentamento dos camponeses aumentou, dado que estes eram obrigados a fornecer alimentos para as cidades e não podiam vendê-los para conseguir sustentar as suas próprias famílias.
A economia do país estava bastante enfraquecida devido ao facto de não existir concorrência entre os vendedores, dado que era o Estado que impunha os preços dos produtos, sendo estes todos iguais. Sem concorrência, a economia do país desenvolvia-se muito dificilmente levando desta forma a uma nova instalação da miséria.
Desde 1922, a Rússia, como fundadora, uniu-se com os países vizinhos e independentes e formaram  a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas( URSS). Todos estes países dispunham de uma Constituição e todos tinham os mesmos direitos, porém dispunham de uma certa autonomia.
Falava-se na altura de um centralismo democrático, que consistia no seguinte, todo o poder provinha da base, ou seja, dos sovietes, que eram escolhidos por sufrágio universal.Para melhor perceber o esquema do centralismo democrático, veja a página 19 do livro "O tempo da história,12º ano".
Ao aperceber-se das dificuldades que a economia nacional enfrentava, Lenine apelou a alguns princípios do capitalismo, pois só assim poderia resolver o problema presente no país. Desta forma, o Estado permite a desnacionalização das pequenas empresas que por sua vez permitiram a renascimento da pequena burguesia. Como consequência, o capitalismo privado permitiu o desenvolvimento do socialismo. Contudo, a "...indústria pesada[...]e os transportes..." continuavam sob o domínio do proletariado. Esta nova medida ficou conhecida como a Nova Política Económica (NEP).
 

sábado, 25 de setembro de 2010

A implantação do marxismo-leninismo na Rússia: a construção do modelo soviético

No ano de 1917 a Rússia ainda era um Império, chefiado pelo czar Nicolau II. Porém já desde há alguns anos que o povo tentava organizar uma revolução com o objectivo de retirar o czar do poder. A primeira tentativa teve lugar em Sampetersburgo, no ano de 1905. Foi uma tentativa falhada, dado que as tropas do czar foram mandadas disparar contra a mulidão que se tinha juntado em frente ao Palácio de Inverno. Houve inúmeros mortos e esse dia ficou conhecido como "O Domingo Sangrento".
Já em 1917 o, ainda, Império, vivia num ambiente de constantes tensões sociais e políticas. Os camponeses, tal como os operários e mesmo a burguesia e a nobreza liberal estavam descontentes com as incompetências do czar.O povo vivia numa situação extremamente difícil, pois não tinha quaisquer condições para a sobrevivência e os preços do pão subiam cada vez mais. Estes desejavam que o czar "concedesse uma Constituição", a qual o czar recusou. Foi aí que começaram as grandes manifestações e greves da parte dos camponeses e dos operários. Estes últimos, reuniram-se numa assembleia popular que era denominada como o "Soviete", com o objectivo de retirar o czar do poder. A dada altura os próprios militares que foram mandados para acalmar a multidão juntaram-se aos manifestantes e encorajaram-nos. Ao aperceber-se da gravidade da situação, o czar abdicou dos seus poderes e desta forma o Império Rússo viu o seu fim.
Foi instalado um Governo Provisório que estava empenhado na instauração de uma democracia parlamentar, mas que por outro lado não retirou o país da guerra( Primeira Guerra Mundial).
Aproveitando-se da situação, surge um grande apoiante do povo, o Lenine. Lenine era um grande defensor do marxismo e assim tornou-se chefe dos bolcheviques. Este não queria de maneira nenhuma apoiar o Governo Provisório, pois queria um governo revolucionário. Lenine defendia que toda a produção social devia ser controlada pelos próprios operários. Foi Lenine o fundador do comunismo, e o seu objectivo era que este sistema tomasse uma iniciativa internacional.